Chamada para o número temático 114 (jul-dez/26)
A Revista Letras está com chamada aberta para o Dossiê GRAMÁTICA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO: PERSPECTIVAS FORMAIS CONTEMPORÂNEAS.
Saiba mais sobre Chamada para o número temático 114 (jul-dez/26)A Revista Letras, ligada aos cursos de Graduação e Pós-Graduação em Letras da UFPR, é um periódico semestral (com números em junho e dezembro), voltado para as áreas de linguística, literatura e letras em geral.
A Revista Letras está com chamada aberta para o Dossiê GRAMÁTICA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO: PERSPECTIVAS FORMAIS CONTEMPORÂNEAS.
Saiba mais Saiba mais sobre Chamada para o número temático 114 (jul-dez/26)Organizadores: Leonardo Ferreira Almada (UFU) . Pedro Dolabela Chagas (UFPR)
Ao final do primeiro quarto do século XXI, vemos que o termo “narrativa” tem sido cada vez mais integrado à descrição e à explicação de fenômenos diversos, desde fenômenos psicológicos até sociológicos, filosóficos e históricos; as narrativas organizam a experiência humana e como são usadas para explicar e dar sentido a fenômenos diversos. Na produção acadêmica recente, Robert Shiller (2019), por exemplo, argumenta que as estórias que contamos uns aos outros sobre a economia e o papel que nela desempenhamos geram resultados de larga escala, sugerindo que mitos e narrativas populares, ao veicularem ideias e crenças capazes de influenciar eventos, instituições, políticas e concepções da realidade, devam ocupar um lugar central na análise econômica. Antes dele, ao argumentar que o juízo moral determina o self e a socialização humana, Christian Smith (2003) defendera que essa condição nos torna excelentes contadores de estórias, como instrumento de disseminação de valores morais capazes de estruturar a vida coletiva. Mais tarde, Jonathan Haidt (2012) proporia, a partir de pressuposições semelhantes sobre o papel fundamental da moralidade na estruturação da vida social humana, que certas narrativas dão fundamento a discursos de legitimação de campos políticos colocados em oposição na modernidade. Enquanto isso, narrativas recebiam saliência nas ciências da natureza, com Richard Dawkins (2009) indicando a condição narrativa de explicações evolutivas, Marcelo Gleiser (1998) propondo um abordagem narrativa da história do universo e das teorias astronômicas, Ilya Prigogine (1996) defendo a irreversibilidade do tempo – a articulação temporal dos processos – como inerente aos fenômenos físicos, que assim adquiriam historicidade.
Partindo desse quadro geral, esta chamada da Revista Letras convidou a comunidade acadêmica a trabalhar a interface entre a narratividade e a mente humana, dentro do amplo espectro de possibilidades que ela oferece. Foram bem-vindas contribuições que tratassem a narrativa como produto – texto, fala, filme, relato… – ou como processo – compreendendo a narrativização como um modo específico de estruturação da informação. Estimulamos abordagens mentalistas do fenômeno narrativo, entre a neurociência, a psicologia cognitiva, a filosofia da mente, a pragmática linguística, e as teorias da evolução cultural humana, entre outros campos possíveis da produção intelectual. Foi um convite para energizar a transdisciplinaridade que costuma caracterizar a discussão sobre o tema proposto.
Revista Letras - ISSN 0100-0888 (versão impressa) e 2236-0999 (versão eletrônica)

