Percepção da qualidade do ar numa metrópole do Nordeste do Brasil como suporte para comunicação em riscos
DOI:
https://doi.org/10.5380/dma.v67i.99281Palavras-chave:
ambiente urbano, sociedade, informação, poluição do arResumo
A poluição atmosférica tem sido investigada por meio de diferentes métodos, especialmente em países em desenvolvimento, onde ainda não há sistemas robustos de monitoramento da qualidade do ar. Nessas regiões, pesquisas de percepção têm sido utilizadas como uma abordagem inicial. O objetivo deste estudo foi analisar a percepção da população de uma metrópole brasileira sobre a poluição atmosférica como suporte para comunicação de riscos. Buscou-se realizar um diagnóstico da percepção local, detectando possíveis correlações entre o perfil socioeconômico e as crenças dos entrevistados. Realizou-se uma pesquisa quantitativa baseada em um inquérito amostral com 437 pessoas na cidade do Recife. As entrevistas foram conduzidas de forma presencial, e os dados foram armazenados na plataforma Survey123 do ArcGIS, sendo posteriormente utilizados para análises estatísticas. Também foram comparados os dados de percepção com os dados de monitoramento da qualidade do ar de nove estações de baixo custo. A maioria da população (57%) nunca ouviu falar ou recebeu informações sobre o tema. Ademais, esse dado está correlacionado com o grau de escolaridade (p = 0,041). Indivíduos que relataram problemas de saúde cardiovascular ou respiratória não demonstraram maior conhecimento sobre o assunto. As principais fontes de poluição mencionadas foram o tráfego de veículos e a poeira; porém, pessoas de menor renda citam a queima de biomassa e de resíduos como as fontes majoritárias. A percepção sobre a poluição atmosférica na cidade varia de acordo com renda, escolaridade, ocupação e grau de informação sobre o tema. De forma geral, as crenças dos habitantes estão de acordo com os dados do monitoramento observado no período. Este estudo buscou fornecer informações para os tomadores de decisão que ainda não dispõem de diagnósticos de percepção e/ou de monitoramento da poluição do ar, contribuindo assim para o desenvolvimento de políticas de comunicação de riscos e alertas de prevenção.
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