Percepção de risco e comunicação: análise crítica da cobertura de mídia em áreas de alta frequência de eventos em Santarém-PA
DOI:
https://doi.org/10.5380/dma.v67i.98735Palavras-chave:
comunicação de riscos, jornalismo ambiental, racismo ambiental, defesa civil, AmazôniaResumo
Este trabalho analisa de forma crítica a cobertura midiática dos eventos de desastre ocorridos em Santarém, Pará, evidenciando a influência dos discursos jornalísticos na formação da percepção de risco em contextos de alta vulnerabilidade socioambiental e em áreas com alta frequência de eventos. A investigação baseia-se na sistematização dos relatórios de ocorrência da Defesa Civil (COOMDEC), referentes ao período de 2018 a 2021, associado com a análise de notícias publicadas por veículos locais. Foram identificados 176 eventos, predominantemente relacionados a processos hidrológicos, como enxurradas, alagamentos e inundações, que ocorrem em três áreas críticas da cidade. Tais áreas, possuem em comum a presença de ocupações irregulares e a precariedade da infraestrutura urbana, e apresentam desafios distintos de gestão de riscos, evidenciando a relação direta entre a ocupação de zonas vulneráveis dentro do sistema hidrológico – desde as nascentes até as planícies aluviais – e a incidência de desastres. A análise dos dados revela que, embora a mídia forneça informações técnicas relevantes e registre percepções subjetivas dos afetados, há um viés seletivo na distribuição das notícias, que privilegia a cobertura de áreas centrais ou de maior visibilidade social em detrimento de regiões periféricas. Esse padrão contribui para a naturalização dos riscos e reforça processos de racismo ambiental e exclusão socioespacial, dificultando a implementação de políticas públicas de prevenção e mitigação. Ademais, o estudo destaca a importância de incorporar a dinâmica das bacias hidrográficas aos instrumentos de planejamento urbano, de modo a melhorar a gestão dos riscos e a resiliência da cidade. Assim, a pesquisa aponta para a necessidade de uma atuação mais equilibrada da mídia, que atue como agente transformador e interlocutora dos diferentes atores na gestão de riscos, promovendo a conscientização e a mobilização da sociedade para a construção de um ambiente urbano mais resiliente.
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