Educomunicação e justiça socioambiental: contribuições e tensionamentos das estratégias audiovisuais na educação para redução de riscos e desastres

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/dma.v67i.98249

Palavras-chave:

sustentabilidade, resiliência, espacialidade, participação social

Resumo

A expansão acelerada dos processos urbanos, agravada por vulnerabilidades históricas e ecológicas, tem transformado ecossistemas e exposto populações a novos padrões de risco socioambiental. Neste cenário, o estudo investiga de que forma recursos audiovisuais podem contribuir para a Educação para Redução de Riscos e Desastres (ERRD) por meio de práticas educomunicativas, alinhadas à Educação Ambiental Crítica (EAC) e à justiça socioambiental. A investigação fundamenta-se em quatro eixos teóricos: justiça socioambiental, EAC, comunicação de riscos e educomunicação. Parte-se da concepção de que os riscos são construções sociais, historicamente produzidas e desigualmente distribuídas. Metodologicamente, adota-se uma abordagem mista, com caráter exploratório e descritivo, baseada no mapeamento das transformações no uso e cobertura do solo em Caraguatatuba (SP), por meio de dados georreferenciados e séries históricas de precipitação extrema, integrados em ambiente de Sistema de Informação Geográfica (SIG), utilizando o software QGIS. A partir desse diagnóstico, foi produzido o documentário educativo Da Natureza ao Concreto, concebido como ferramenta de sensibilização e mobilização frente aos riscos ambientais locais. Entre os resultados, destaca-se a capacidade do audiovisual de traduzir dados científicos em narrativas acessíveis e situadas, favorecendo uma percepção mais clara sobre riscos e vulnerabilidades. O processo também estimula o protagonismo de educadores e jovens como mediadores do conhecimento e da ação comunitária. Conclui-se que linguagens audiovisuais podem aprimorar a ERRD, encorajar a participação crítica das comunidades e promover uma cultura de cuidado, prevenção e justiça socioambiental.

Biografia do Autor

Willian José Ferreira, Universidade de Taubaté (UNITAU)

Licenciado em Física pela Universidade Estadual Paulista (UNESP, Guaratinguetá), Mestre em Ciências Ambientais pela Universidade de Taubaté (UNITAU) e Doutor em Geofísica Espacial pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Desde 2002, exerce atividades na Divisão de Impactos, Adaptação e Vulnerabilidades do INPE, concentrando suas atividades no estudo das emissões de gases de efeito estufa resultantes da alteração do uso e ocupação do solo em diferentes biomas. Em paralelo, a partir de 2013, assumiu o papel de professor no Instituto Básico de Exatas da UNITAU, onde também participa ativamente na modalidade de ensino a distância (EAD). Em 2023, conquistou a posição de docente no Mestrado Profissional em Educação, dedicando-se a pesquisar práticas pedagógicas para promover a equidade no ensino de Ciências e Matemática.

Rodrigo Cesar da Silva, Universidade de Taubaté (UNITAU)

Geógrafo, mestre em Ciências Ambientais pela Universidade de Taubaté e doutor em Desastres Naturais pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e CEMADEN. Atua como docente nos Programas de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (MACA) e em Ecodesenvolvimento e Gestão Ambiental (MPEDGA) da UNITAU, com experiência em sensoriamento remoto, extremos climatológicos, secas, análise de perigos naturais e desastres.

Cheila Flávia de Praga Baião, Universidade de Taubaté (UNITAU)

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Braz Cubas, mestre em Ciências Ambientais pela Universidade de Taubaté e doutora em Desastres Naturais pela UNESP e CEMADEN. Professora de Educação Básica no Estado de São Paulo, realiza pós-doutorado na UNESP e no CEMADEN. Tem experiência em educação ambiental, recursos hídricos, serviços ecossistêmicos e pesquisa em incêndios florestais.

Marcelo dos Santos Targa, Universidade de Taubaté (UNITAU)

Professor, pesquisador e coordenador do Mestrado Profissional em Ecodesenvolvimento e Gestão Ambiental (MPEDGA) e do Mestrado Acadêmico em Ciências Ambientais (MACA) da Universidade de Taubaté (UNITAU). Doutor em Agronomia pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP). Membro do Comitê das Bacias Hidrográficas do Rio Paraíba do Sul (CBH-PS) e de sua Câmara Técnica de Planejamento (CT-PL). Possui experiência em Agronomia, com ênfase em Hidrologia e Gestão Hídrica, além de ampla atuação na coordenação de projetos de pesquisa e técnico-científicos.

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Publicado

2026-06-23

Como Citar

Ferreira, W. J., Silva, R. C. da, Baião, C. F. de P., & Targa, M. dos S. (2026). Educomunicação e justiça socioambiental: contribuições e tensionamentos das estratégias audiovisuais na educação para redução de riscos e desastres. Desenvolvimento E Meio Ambiente, 67, 625–648. https://doi.org/10.5380/dma.v67i.98249

Edição

Seção

Comunicação de riscos e desastres socioambientais