Trade-off entre Liquidez e Rentabilidade: Uma Análise à Luz do Ciclo de Vida Organizacional em Empresas Brasileiras
DOI:
https://doi.org/10.5380/rcc.18.102947Palavras-chave:
liquidez, rentabilidade, ciclo de vida organizacionalResumo
Resumo
Este estudo investigou se o ciclo de vida organizacional modera a relação entre liquidez e rentabilidade em empresas brasileiras. A amostra compreendeu 2.618 observações empresa-ano de 187 companhias não financeiras listadas na B3, no período de 2011 a 2024, configurando um painel balanceado. Utilizou-se o índice de liquidez corrente (LC) e o Retorno sobre ativos (ROA) como proxies da liquidez e rentabilidade. A classificação do ciclo de vida seguiu a metodologia de Dickinson (2011), baseada em padrões de fluxo de caixa, resultando em cinco estágios: Introdução, Crescimento, Maturidade, Turbulência e Declínio. A análise empregou modelos de regressão de efeitos fixos com erros-padrão robustos para heterogeneidade, utilizando o estágio de Maturidade como categoria de referência. Os resultados revelaram que a liquidez apresenta associação positiva e significante com a rentabilidade, contrariando a teoria tradicional do trade-off. Contudo, o ciclo de vida organizacional não modera significativamente essa relação, uma vez que nenhuma das interações entre liquidez e estágios do ciclo de vida apresentou significância estatística. Esse achado diverge de evidências internacionais, como Wang et al. (2020) para o Paquistão, que documentaram efeito moderador significante. O estudo contribui para a literatura ao evidenciar que, no contexto institucional brasileiro, caracterizado por elevadas taxas de juros e volatilidade macroeconômica, a liquidez funciona como recurso estratégico de valor universal, independentemente do estágio de desenvolvimento da firma. Os resultados sugerem que gestores brasileiros não devem assumir automaticamente que reduzir liquidez aumentará rentabilidade.
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