Múltiplas dimensões na comunicação das inundações no Rio Grande do Sul: ensaio sobre a construção social da noção de voluntariado

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/dma.v67i.98736

Palavras-chave:

comunicação de risco, desastres socioambientais, voluntariado, inundações no Rio Grande do Sul, evento climático extremo

Resumo

Este artigo examina as múltiplas dimensões na comunicação dos impactos socioambientais das inundações que ocorreram em maio de 2024 no Rio Grande do Sul. A pesquisa de campo e a coleta de dados ocorreram na região metropolitana de Porto Alegre e no Vale do Rio Taquari, seis meses após o desastre, observando o processo de recuperação e as cicatrizes deixadas pela destruição. O foco do estudo foi compreender as formas de engajamento produzidas, explorando o papel das mídias sociais e dos aplicativos de mensagens em situações de crise climática. A metodologia adotada incluiu atividades de extensão (cinedebate com o documentário “O Resgate”), relatos de campo, observação direta, entrevistas e rodas de conversa, com foco nas categorias de risco, afetados e voluntariado. A análise tem como fio condutor uma reflexão sobre os dilemas da construção social do voluntariado em emergências, o papel das relações informais de comunicação na construção de solidariedade e disseminação de informações. A análise final enfoca três aspectos da relação entre comunicação e voluntariado: a interação com instituições públicas, formas sutis de comunicação entre elementos não-humanos e a construção social do voluntariado, fundamentada numa suposta dicotomia entre o Estado e sociedade civil.

Biografia do Autor

Rodolfo Bezerra de Menezes Lobato da Costa, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Docente do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento (PPGMADE). Pesquisador Centro de Estudos Rurais do Paraná (UFPR), do Observatório Fundiário Fluminense (UFF) e do GT Ecosocial (UFF). Graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre e doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito (PPGSD/UFF).

Tarinê Cortina Poeta Castilho da Silva, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Doutoranda em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde atua como pesquisadora bolsista. Mestra em Ciências Ambientais pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), com dissertação voltada à proteção socioambiental e à responsabilidade penal pelo uso indevido da água. Advogada inscrita na OAB/PR, laureada pela OAB Paraná e pela OAB Subseção Cascavel/PR. Membro da diretoria da Comissão Estadual de Direito Ambiental, membro da Comissão de Proteção e Direito dos Animais da OAB/PR, além de integrar o Observatório de Conflitos Socioambientais da UFPR. Possui especialização em Direito Ambiental e Urbanístico, bem como graduação em Direito pelo Centro Universitário de Cascavel (UNIVEL). Redigiu o Decreto-Lei n 6.971/2019, referente à Lei de Recursos Hídricos de Cascavel/PR. É autora de artigos científicos publicados em periódicos especializados, com foco em Direito Ambiental, Direito Penal e Crimes Ambientais. Possui formação complementar em ESG, Direito de Águas, advocacia dativa e técnicas de investigação ambiental.

Vinícius Luiz Corrêa, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Mestrando em Sociologia pelo programa de pós-graduação em sociologia UFPR, bolsista DS-CAPES vinculado ao PGSocio UFPR. Graduado em Licenciatura em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Paraná. Foi bolsista PIBIC CNPq de agosto de 2019 à agosto de 2021 sob orientação da Dra. Monica Ribeiro da Silva desenvolvendo trabalhos sobre política curricular, ideologia, movimentos sociais, movimento estudantil e juventude. Atualmente é vinculado ao Observatório de Conflitos Socioambientais sob orientação do prof. Dr. Rodolfo Lobato Bezerra de Menezes. Interessado no estudo de movimentos sociais, movimento secundarista de ocupações, movimento ambientalista, movimentos rurais, ruralidade, meio ambiente e eventos climáticos extremos.

Carolina Efing, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Formada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná e mestranda em Sociologia na Universidade Federal do Paraná.

Lara Senger, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Bacharela em Ciências Sociais, diplomada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Com interesse nas áreas de Sociologia da Cultura e Sociologia do Meio Ambiente. Atualmente pesquisando na área da Sociologia do Cinema.

Marjorie Reis Muller, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Doutoranda no Programa de Pós Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná (2023 - ), contemplada pela bolsa de incentivo á pesquisa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Sistemas Ambientais e Sustentabilidade da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (2019 - 2021), via bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Bacharela em Administração (2014) via bolsa Prouni pela mesma universidade. Editora de sessão da Revista Em Tese, UFSC, Brasil, ISSNe 1806-5023. Delegada Titular da CNMA - Conferência Nacional de Meio Ambiente (2024-2025). Membra associada da Associação Ijuiense de Proteção ao Ambiente Natural (Aipan). Áreas de interesse: Políticas Públicas, Mudanças Climáticas, Ecologia Política e Decolonialidade.

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Publicado

2026-06-17

Como Citar

Lobato da Costa, R. B. de M., Silva, T. C. P. C. da, Corrêa, V. L., Efing, C., Senger, L., & Muller, M. R. (2026). Múltiplas dimensões na comunicação das inundações no Rio Grande do Sul: ensaio sobre a construção social da noção de voluntariado. Desenvolvimento E Meio Ambiente, 67, 458–482. https://doi.org/10.5380/dma.v67i.98736

Edição

Seção

Comunicação de riscos e desastres socioambientais