O impacto da nomenclatura atribuída às vítimas de desastres ambientais tecnológicos à luz do rompimento da barragem do Fundão
DOI:
https://doi.org/10.5380/dma.v67i.99754Palavras-chave:
identidade, desastres ambientais tecnológicos, nomenclatura, barragem do Fundão, comunicação de riscosResumo
Este estudo analisa o impacto da nomenclatura atribuída às vítimas de desastres ambientais tecnológicos à luz do rompimento da barragem de Fundão em Mariana-MG, discutindo suas repercussões sobre a identidade, direitos e reconhecimento no pós-desastre. Por meio de uma revisão bibliográfica de caráter analítico e interdisciplinar, a pesquisa examina a multiplicidade de termos empregados para citar o evento e as vítimas, sendo os mais utilizados: “impactados” e “atingidos”, apurando quais se aplicam ao contexto investigado e suas implicações políticas, comunicacionais e legais. Ao incorporar a perspectiva da comunicação de riscos, a pesquisa evidencia que a escolha de determinadas nomenclaturas funciona como um dispositivo de poder e um instrumento discursivo de gestão simbólica do evento, moldando a percepção pública, a narrativa institucional e a legitimação das vítimas como vítimas. Os resultados apontam que os termos “atingido” e “deslocado interno” se mostram os mais adequados para o reconhecimento social e jurídico das pessoas afetadas, enquanto o conceito de “refugiado interno” revela-se uma categoria emergente, com grande potencial crítico e político para representar a gravidade das violações de direitos e da desterritorialização impostas. Conclui-se também que a disputa terminológica não é apenas semântica, mas comunicacional e ética, sendo parte constitutiva das dinâmicas de poder que definem quem é ouvido, quem é silenciado e quem é reconhecido.
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