A crise hídrica de 2020-2022 em Curitiba e Região Metropolitana nas notícias do jornal digital Gazeta do Povo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/dma.v67i.98742

Palavras-chave:

escassez hídrica, comunicação de risco, enquadramento de notícias, Curitiba, Gazeta do Povo

Resumo

Em março de 2020, a crise hídrica que assolou Curitiba e Região Metropolitana, simultaneamente à pandemia de covid-19, ficou evidente para a população a partir da adoção do rodízio de abastecimento de água pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). Ao abordar este tema, adota-se a concepção de risco cuja premissa decorre de escolhas políticas ou econômicas realizadas e compreendidas no contexto em que foram tomadas. Também se entende que uma crise hídrica não se limita a períodos de secas prolongadas, mas tem relação com diversos fatores (naturais/climáticos, socioeconômicos, tecnológicos e político-administrativos) que devem ser analisados de forma conjuntural. Neste artigo, aplica-se a análise de enquadramento noticioso com o objetivo de compreender como o jornal digital Gazeta do Povo abordou essa crise hídrica histórica em 2020. A seleção das 65 matérias foi realizada no site do jornal, por meio de mecanismo de busca, utilizando-se de palavras-chave. A abordagem de enquadramento foi observada na forma e disposição do conteúdo, considerando o título, o lead e o corpo do texto. Além disso, foram mapeados os atores que aparecem nas notícias e a abordagem de suas falas. Evidenciou-se o fato de que os enquadramentos das notícias analisadas deram ênfase dominante, quase exclusiva, ao enfrentamento e aos riscos claramente associados às questões naturais, ignorando aqueles relacionados a elementos tecnológicos, sociais e de gestão. As raras menções sobre os efeitos da crise hídrica remetem à percepção de que o único fato concreto relacionado ao fenômeno é a falta de água na torneira. O efeito da crise climática sobre o fenômeno não foi mencionado. As pessoas e comunidades afetadas não foram ouvidas nas matérias e nos enquadramentos que abarcaram a experiência social na comunicação do risco hídrico.

Biografia do Autor

Debora Rocha Faria Jorge, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2006) e mestrado em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Paraná (2020). Recentemente, concluiu seu doutoramento no PPG Meio Ambiente e Desenvolvimento (MADE), na Universidade Federal do Paraná, com período de doutorado-sanduíche no Programa "Environmental Sustainability and Wellbeing" na Università degli Studi di Ferrara (Itália). No campo profissional, possui a prática de aproximadamente 10 anos no ensino superior na escola de Arquitetura, em universidades públicas e privadas. Tem experiência na área de Planejamento Urbano e Regional, com ênfase em Política Urbana, atuando principalmente nos temas: planejamento urbano e regional, mobilidade urbana, sustentabilidade, mobilização social e democracia participativa. 

Dhyeisa Lumena Rossi, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Paraná (2013) e mestrado em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná (2016). Atualmente é analista de projetos sênior da Associação Paranaense de Cultura. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Estudos do Poder Local, atuando principalmente nos seguintes temas: bioeconomia, educação profissional, inovação, democracia e valores políticos. 

Myrian Regina Del Vecchio de Lima, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Bolsista Capes 2016, para estágio de pós-doutoramento na Université Lyon 2, Lyon, em França, na área de Jornalismo Digital. Jornalista profissional. Bacharel em Direito. Doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento (Universidade Federal do Paraná, 2002).Mestre em Comunicação Social (Universidade Metodista de São Paulo, 1992). Professora permanente e pesquisadora do Departamento de Comunicação, no Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento e no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Paraná. Tem experiência e atua na área de Meio Ambiente Urbano, com ênfase em Resíduos Sólidos Urbanos e Reciclagem, Mudanças Climáticas e governança, além de trabalhar com pesquisas em Comunicação Ambiental, Educação e Meio Ambiente; na área de Comunicação atua principalmente nos seguintes temas: comunicação em redes digitais;cultura digital, jornalismo digital e novas práticas jornalísticas. jornalismo especializado (jornalismo ambiental, jornalismo científico, jornalismo literário) e jornalismo e cidade; interfaces entre comunicação e educação, comunicação e tecnologia; comunicação e cultura. É líder do Grupo de Pesquisa Comunicação e Cultura Ciber - Click, do CNPq. . É pesquisadora do Grupo de Pesquisa Urbanização, Cidade e Meio Ambiente. Integrou o Grupo Internacional de Pesquisa JADN - Journalisme à l'Heure de Numérique, em parceria com o Icom- Instituto de Comunicação da Universidade de Lyon2, França. Foi coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento (UFPR, no biênio 2010-2012 e vice-Chefe do Departamento de Comunicação Social da UFPR, entre 2018-2020.. Eleita diretora de Comunicação e Eventos d da Anppas - Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ambiente e Sociedade (2023-=2027)

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Publicado

2026-06-16

Como Citar

Jorge, D. R. F., Rossi, D. L., & Del Vecchio de Lima, M. R. (2026). A crise hídrica de 2020-2022 em Curitiba e Região Metropolitana nas notícias do jornal digital Gazeta do Povo. Desenvolvimento E Meio Ambiente, 67, 438–457. https://doi.org/10.5380/dma.v67i.98742

Edição

Seção

Comunicação de riscos e desastres socioambientais