Comunicação e vigilância popular em saúde: estratégias de enfrentamento ao desastre-crime do derramamento de petróleo no litoral nordestino

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/dma.v67i.98706

Palavras-chave:

comunicação em saúde, vigilância em desastres, derramamento de petróleo, educação em saúde

Resumo

O desastre-crime do derramamento do petróleo ocorrido em 2019 afetou as populações tradicionais cujo modo de vida está profundamente ligado à pesca artesanal no litoral nordestino. Foram recolhidas mais de 5 mil toneladas de petróleo em cerca de 4.300 km da costa brasileira, incluindo onze municípios em Pernambuco. Frente a esse cenário, emergiram intervenções populares voltadas para a superação das injustiças socioambientais e à busca por reparação social, utilizando tecnologias sociais leves desenvolvidas a partir das necessidades locais. Este estudo teve como objetivo mapear as estratégias de comunicação e vigilância popular em saúde adotadas por comunidades pesqueiras impactadas pelo desastre em Pernambuco. Foi conduzido um estudo qualitativo, participativo, descritivo e documental, envolvendo 34 mulheres, lideranças comunitárias e pescadoras artesanais de oito municípios afetados pelo desastre-crime. As participantes integraram o curso de formação-ação de Agentes Populares de Saúde dos Povos das Águas, realizado entre novembro de 2024 e janeiro de 2025. Os resultados indicam que as estratégias de comunicação comunitária incluíram principalmente o uso do WhatsApp, divulgação “boca a boca”, assembleias e reuniões para discussão do cenário. No âmbito da vigilância popular, destacaram-se ações de monitoramento das espécies afetadas pelo desastre e dos rios, praias e estatutários, acionamento de órgãos governamentais e orientação da população local. Conclui-se que tais estratégias foram essenciais para a iniciativa territorial frente ao desastre, promovendo, por meio de tecnologias sociais e participação comunitária, não apenas justiça ambiental, mas também a construção de territórios mais resilientes. Destaca-se a necessidade de que instâncias institucionais incorporem as experiências de movimentos sociais e comunidades tradicionais na formulação de políticas públicas efetivas.

Biografia do Autor

Thayna Karen, Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Graduanda em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente, é bolsista do Programa de Iniciação Científica (PIBIC/Fiocruz) no Instituto Aggeu Magalhães/Fundação Oswaldo Cruz (IAM/Fiocruz), vinculado ao Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho (LASAT). Desenvolve pesquisas nas áreas de comunicação comunitária, educação popular e estudos sobre comunidades tradicionais. 

Rosely Arantes, Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)

Mestra em Saúde Pública , Graduada em Jornalismo. Atua como Pesquisadora do Lasat do IAM/Fiocruz e do PSAT da Fiocruz Brasília. É jornalista, comunicadora e educadora popular.

Nathalie Agripino, Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)

Mestre em Ensino em Ciências da Saúde (Unifesp/SP). Especialista em Promoção e Vigilância em Saúde, Ambiente e Trabalho. Sanitarista, graduada em Saúde Coletiva pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco (FCM/UPE).

 

José Gonçalves , Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)

Enfermeiro pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE/CAV). Mestre em Saúde Pública (IAM/Fiocruz). Integrante do Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho do Instituto Aggeu Magalhães , Fundação Oswaldo Cruz (Lasat/IAM/Fiocruz). Membro do grupo de pesquisa Saúde, Ambiente, Trabalho e Sustentabilidade em comunidades da Universidade Federal da Bahia (PPGSAT/UFBA). Desenvolve atividades de pesquisa nas áreas de saúde ambiental e saúde do trabalhador com experiências em comunidades tradicionais da pesca artesanal e do campo.

Cláudio Neto, Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)

Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de  Pernambuco (UFPE) e Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade de Pernambuco (UPE). Integra o Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho (LASAT) do Instituto Aggeu Magalhães - IAM/Fiocruz Pernambuco.

André Wolmer , University of Western Ontario (UWO)

Graduado em Publicidade pela UFPE, tem especialização em Comunicação Pública. Em 2022, concluiu o Mestrado em Estudos da Mídia na UFRN sobre Comunicação Pública e Meio Ambiente. Atualmente está no terceiro ano de doutorado na University of Western Ontario, no Canadá. O foco da pesquisa é em narrativas alternativas, justiça socioambiental e comunidades marginalizadas.

Idê Gurgel, Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)

Doutora e Mestra em Saúde Pública (IAM/Fiocruz). Graduada em medicina. Docente e pesquisadora no IAM/Fiocruz onde coordena o Laboratório de Saúde,
Ambiente e Trabalho (LASAT) do Departamento de Saúde Coletiva (Nesc/IAM/Fiocruz). Tem desenvolvido estudos que tratam da relação Saúde, Ambiente, Trabalho e Vulnerabilização Sociais.

Mariana Santos, Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)

Doutora, Mestra e Especialista em Saúde Pública (IAM/Fiocruz), atua como professora-visitante da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e pesquisadora e docente permanente do Programa de Pós-Graduação profissional e acadêmico do IAM/Fiocruz. Integrante da equipe LASAT, atuando como docente da PPGSP, desenvolvendo estudos que tratam da relação Saúde, Ambiente Trabalho e Vulnerabilização Sociais. 

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Publicado

2026-05-29

Como Citar

Karen, T., Arantes, R. F. . de M., Agripino , N. A., Gonçalves , J. E., França Neto, C. L. de, Melo, A. W. de, … Santos, M. O. S. dos. (2026). Comunicação e vigilância popular em saúde: estratégias de enfrentamento ao desastre-crime do derramamento de petróleo no litoral nordestino. Desenvolvimento E Meio Ambiente, 67, 267–287. https://doi.org/10.5380/dma.v67i.98706

Edição

Seção

Comunicação de riscos e desastres socioambientais