Um panorama da produção científica brasileira sobre negacionismo e desinformação climática
DOI:
https://doi.org/10.5380/dma.v68i.100036Palavras-chave:
negacionismo, desinformação, crise climática, revisão sistemáticaResumo
Os impactos da crise climática figuram entre os mais graves e urgentes riscos globais da contemporaneidade. No entanto, a gravidade desse cenário tem sido sistematicamente obscurecida pela disseminação deliberada de desinformação, a qual compromete o engajamento público e enfraquece os esforços coletivos voltados à formulação e implementação de soluções eficazes. Nesse contexto, este artigo tem como objetivo identificar e analisar a produção científica brasileira sobre negacionismo e desinformação climática, por meio de uma revisão bibliográfica sistemática integrativa realizada no portal de periódicos da CAPES e na base SciELO Brasil, abrangendo o período de 2018 a 2024. Constatou-se que o termo negacionismo climático foi amplamente utilizado, geralmente tratado como desdobramento do negacionismo científico. Predominou a compreensão do fenômeno como uma expressão político-ideológica, relacionado a interesses neoliberais e estratégias deliberadas de obstrução da conscientização pública sobre os efeitos da crise climática e as medidas necessárias para mitigá-los. Os achados apontam para a urgência de enfoques interdisciplinares que integrem educação científica crítica, letramento midiático, regulação das tecnologias da informação, fortalecimento da governança ambiental e valorização de conhecimentos plurais e emancipatórios, a fim de enfrentar os conflitos políticos, cognitivos e comunicacionais que permeiam esse debate. Ao mapear e sistematizar esse corpus de análise, esta investigação visa contribuir para o fortalecimento de respostas acadêmicas e institucionais frente aos impactos estruturais do negacionismo e da desinformação climática no Brasil.
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