Tornando-se Dom Casmurro: da análise semiótica à perspectiva cognitiva

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/rel.v111i1.99890

Resumo

Em Dom Casmurro, romance clássico da literatura brasileira, o narrador se autodenomina de duas formas, Bentinho e Dom Casmurro, aspecto que denota uma transformação profunda sofrida pelo personagem ao longo da narrativa. Neste artigo, através de uma análise semiótica com base na proposta de Kockelman (2013), sugerimos uma sistematização de como essa transformação ocorre, assim explicando de que forma as mudanças percebidas pelo leitor são construídas pelo autor. Para tal, oferecemos uma divisão heurística do romance, compreendendo que ele pode ser dividido em duas partes, distinguidas através da ênfase narrativa e agência de certos personagens em detrimento de outros, fatos que alteram, além de aspectos dinâmicos do enredo, a própria voz narrativa. Na análise semiótica, identificamos as características mais recorrentes do protagonista, acompanhando-as a fim de verificar se são mantidas ou modificadas (e, se alteradas, como são então transformadas e em quais outras se convertem). A partir da divisão heurística já mencionada e da análise do personagem, buscamos explicar como Machado de Assis mobiliza mudanças em figuras importantes sem causar empecilhos de leitura e, ao mesmo tempo, como essa construção molda um processo que aqui chamamos de “experiência de leitura da mudança”.

Biografia do Autor

Maria Fernanda Coca, Universidade Federal do Paraná

Mestranda em Estudos Literários na Universidade Federal do Paraná

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Publicado

2026-03-02

Como Citar

Mello Batistela, A., & Coca, M. F. (2026). Tornando-se Dom Casmurro: da análise semiótica à perspectiva cognitiva. Revista Letras, 111(1). https://doi.org/10.5380/rel.v111i1.99890

Edição

Seção

Dossiê Temático “Mente e narrativa”