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SINGULARIDADES DO CUIDADO DOMICILIAR DURANTE O PROCESSO DE MORRER: A VIVÊNCIA DE FAMILIARES CUIDADORES

Soraia Matilde Marques

Resumo


Trata-se de um estudo etnográfico cujo objetivo foi compreender a experiência de familiares cuidadores que
prestavam cuidado diário a um parente doente, sem possibilidades terapêuticas de cura, no ambiente domiciliar. Foi
desenvolvido com 16 (dezesseis) informantes, todas do sexo feminino, com idade entre 29 e 83 anos, residentes em Belo
Horizonte e Região Metropolitana. Todos os doentes eram cuidados em suas casas pelas informantes entrevistadas e
vivenciavam, à época da coleta de dados, a fase terminal da doença em circunstâncias peculiares. A coleta de dados
constou da associação da observação participante, como preconizada por Leininger, com a entrevista etnográfica conforme
Spradley. A análise dos dados obtidos foi fundamentada na proposição de Leininger para a pesquisa etnográfica. Da
análise dos dados emergiram 14 (quatorze) descritores culturais que permitiram a identificação dos subtemas: tornar-se
cuidador domiciliar: uma difícil e desafiante experiência; o cuidado do doente em fase final de uma doença no domicílio: um
trabalho complexo e criativo que resulta em crescimento pessoal, vivenciando o cuidado solitário. Esses subtemas
constituíram o suporte para o tema central: o cuidado ao doente em fase final de uma doença no domicílio: aprendendo com
o sofrimento, a dor e a morte. As reflexões sobre as entrevistas, os subtemas e o tema central foram essenciais para
aprofundar o conhecimento sobre crenças, valores, sentimentos e necessidades dos familiares cuidadores no ambiente
domiciliar, participantes deste estudo. O desconhecimento dos cuidados a serem prestados origina-se do fato de que os
profissionais de saúde ainda não incluem os familiares dos doentes no processo assistencial e, com isso, ao levarem o
enfermo para o domicílio, a família depara-se com inúmeras dificuldades, quase insuperáveis. Entretanto, todas as informantes
demonstraram capacidade de transcender suas limitações pessoais e de conhecimento técnico. Adaptando o cuidado dos
doentes às suas condições humanas, materiais e econômicas, proporcionavam-lhes afeto e confiança numa atitude de
auto-superação e dedicação total, esquecendo-se, muitas vezes, de suas próprias necessidades no intuito de amenizar o
sofrimento daqueles que estão em fase terminal de uma doença.

Palavras-chave


Cuidado; Família; Cultura; Doença terminal; Morte; Care; Family; Culture; Terminal illness; Death; Cuidado; Familia; Cultura; Enfermidad terminal; Muerte

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/ce.v14i2.15637