O patrimônio territorial como referência para o desenvolvimento sustentável: a cesta de bens e serviços e uma festa típica na periferia do Rio de Janeiro
DOI:
https://doi.org/10.5380/dma.v67i.98925Palavras-chave:
agricultura familiar, festas, cesta de bens e serviços territoriais, patrimônio territorial, signos distintivos territoriaisResumo
A pesquisa mobiliza o estudo do patrimônio territorial como referência para identificar oportunidades de um desenvolvimento sustentável em regiões periféricas, percebendo recursos territoriais capazes de ofertar produtos e serviços de qualidade. Este é o caso de Jaceruba, um bairro localizado no município de Nova Iguaçu, região periférica do Rio de Janeiro. O território, com a predominância da agricultura familiar, se encontra em vulnerabilidade social, apresentando como uma de suas dinâmicas territoriais a Festa da Banana de Jaceruba, que visa alcançar melhores condições de vida e trabalho para seus habitantes. Neste estudo, foram identificadas as potencialidades do território por meio de entrevistas semiestruturadas com 15 atores locais, em que se utilizou como embasamento teórico as concepções da abordagem do patrimônio territorial e da Cesta de Bens e Serviços Territoriais (CBST). Os resultados demonstraram que Jaceruba possui produção de aipim como recurso específico e produto líder, reconhecido e fortemente vinculado ao território, trazendo indícios de uma possível obtenção da indicação geográfica do aipim. A localidade possui características e recursos singulares como agroecologia, fertilidade do solo incomum, isolamento, acolhimento da comunidade, diversidade agrícola e um passado particular ligado ao Brasil Império. Tais atributos, juntamente com a APA Jaceruba e a Reserva Biológica do Tinguá, trazem oportunidades para se criar uma oferta diversificada de produtos e serviços específicos revelados neste estudo, os quais se destacam os subprodutos orgânicos e o turismo de base comunitária. Por fim, constatou-se que a festa típica tem aproximado o poder público da comunidade, contribuindo para a construção de uma governança territorial cada vez mais articulada na proposição de ações de desenvolvimento local.
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