Visibilidade e comunicação de multirriscos entre povos e comunidades tradicionais da Amazônia brasileira: representações na mídia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/dma.v67i.98905

Palavras-chave:

povos e comunidades tradicionais, visibilidade midiática, conservação ambiental, representação midiática, multirriscos

Resumo

A cobertura jornalística e seu foco representam uma ponte de comunicação entre os diferentes atores políticos e sociais. As visões representadas influenciam percepção e interesses, promovendo um discurso baseado em recortes de informações de acordo com um determinado viés. Considerando-se os povos e comunidades tradicionais amazônicas como grupos sociais, em situação de vulnerabilidade econômica e geográfica, buscamos analisar a visibilidade e a representação de multirriscos, segundo suas percepções, na cobertura jornalística em diferentes escalas espaciais. Para o estudo, focalizamos o território quilombola do Abacatal, localizado no município de Ananindeua (Pará), a Floresta Nacional (Flona) do Tapajós e a Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns, ambas na região oeste do estado do Pará. Por meio da ferramenta de mapeamento de conteúdo do Google Notícias, analisamos a cobertura jornalística em escala local, regional e nacional, entre os anos de 2014 e 2023. Ao todo, foram identificadas 40 peças jornalísticas sobre o Abacatal, 91 sobre a Flona do Tapajós, e 56 sobre a Resex Tapajós-Arapiuns. A análise revelou que embora a cobertura midiática tenha aumentado em 2023, as vozes das comunidades tradicionais e indígenas foram pouco representadas, com maior enfoque em autoridades públicas e especialistas externos. O território quilombola do Abacatal enfrenta desafios decorrentes de projetos de infraestrutura e contaminação ambiental, enquanto a Flona e a Resex lidam com secas severas e incêndios florestais. Apesar da maior incidência de notícias, a representação das comunidades permanece assimétrica, com pouca atenção a questões como a pandemia de COVID-19 e os impactos sociais da crise climática. O estudo destaca a necessidade de políticas públicas que integrem os conhecimentos tradicionais e amplifiquem as vozes locais na conservação ambiental e no desenvolvimento sustentável. Os dados sugerem que a mídia convencional ainda não é uma ferramenta eficaz para a articulação dessas comunidades, reforçando a importância de estratégias de comunicação mais inclusivas e representativas.

Biografia do Autor

Janaina Cassiano dos Santos, Universidade Federal Fluminense (UFF)

Engenheira em Agrimensura e Cartografia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), especialista em Pedagogia pelo Centro Universitário Augusto Motta (UNISSUAN) e MBA em Gestão de Projetos pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP). Mestra e doutoranda em Engenharia de Biossistemas pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atua como coordenadora da equipe de geoprocessamento do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS).

Marlise Mirta Rosa, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)

Cientista social pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), mestra e doutora em Antropologia Social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN/UFRJ). É pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e professora do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Áreas Protegidas na Amazônia (MPGAP) na mesma instituição.

Gleiciane de Oliveira Pismel, Universidade de Brasília (UnB)

Cientista social pela Universidade Federal do Acre (UFAC), mestra em Sociologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutoranda em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB). Integra do Grupo de Pesquisa Mundos do Trabalho na Amazônia (GPMTA/CNPq/UFAC) e o CAPOEIRA – Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazônia.

Liana Anderson, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

Bióloga pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), mestra em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e doutora em Geografia e Meio Ambiente pela Universidade de Oxford, onde também realizou pós-doutorado no Environmental Change Institute (ECI). Entre 2014 e 2025, atuou como pesquisadora no Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN). Desde setembro de 2025, é pesquisadora do INPE e professora do Programa de Pós-Graduação em Sensoriamento Remoto na mesma instituição, além de co-líder do Grupo de Ecossistemas Tropicais e Ciências Ambientais (Laboratório TREES).

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Publicado

2026-06-10

Como Citar

Santos, J. C. dos, Rosa, M. M., Pismel, G. de O., & Anderson, L. (2026). Visibilidade e comunicação de multirriscos entre povos e comunidades tradicionais da Amazônia brasileira: representações na mídia. Desenvolvimento E Meio Ambiente, 67, 314–340. https://doi.org/10.5380/dma.v67i.98905

Edição

Seção

Comunicação de riscos e desastres socioambientais