Água e tradições na Lagoa do Piató: a importância da ação comunicativa sobre injustiça ambiental no semiárido brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.5380/dma.v67i.98740Palavras-chave:
ação comunicativa, injustiça ambiental, tradições, Lagoa do Piató, segurança hídrica e alimentarResumo
Este artigo reflete sobre a comunicação educativa de atores competentes do meio popular de movimentos sociais, lideranças ou mesmo sujeitos que projetam por meio de si a memória de uma relação de convivência próxima com a natureza apreendida com seus ancestrais. Pergunta-se sobre as intervenções humanas, pelo desenvolvimento ao longo do último século e pelas transformações trazidas nas questões hídricas e ambientais no semiárido do Rio Grande do Norte. Espera-se mostrar como a ação criativa individual ou coletiva ajudou na preservação da memória e em um conhecimento do processo de adaptação ao território do semiárido. A pesquisa coletou material em arquivos pessoais e de grupos, artigos científicos, trabalho de campo observacional, com realização de entrevistas semiestruturadas com moradores do entorno da Lagoa do Piató e lideranças de movimentos socioambientalistas. Assim, é de grande importância a atuação crítica de mestres que estimulam a resistência e a perpetuação de saberes naturalísticos que refletem adaptação, convivência próxima e preservação ambiental, além da importância do conhecimento transmitido pela oralidade, que tem a memória da relação do homem com a água e o papel ancestral de construção histórica de territórios de resistência.
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