Um olhar sobre o gasto ambiental em municípios do semiárido do Nordeste do Brasil
DOI:
https://doi.org/10.5380/dma.v67i.98029Palavras-chave:
municípios, política pública ambiental, gastos ambientais municipais, semiárido, Bacia Hidrográfica do Rio Piancó-Piranhas-AçuResumo
Espera-se um aumento dos gastos públicos destinados ao meio ambiente, impulsionado pela emergência climática global e suas repercussões nas agendas nacionais e dos governos subnacionais. Sobretudo no contexto brasileiro, que apresenta áreas sensíveis a eventos climáticos extremos em todo o país, como o semiárido, um território exposto a riscos de seca e escassez hídrica. A sucessão de eventos climáticos que impactou municípios em diversas regiões nos últimos anos sugere a necessidade de um maior investimento público em ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Diante deste contexto, o presente artigo tem por objetivo analisar o gasto público em meio ambiente dos 147 municípios que compõem a Bacia Hidrográfica do Rio Piancó-Piranhas-Açu, localizados na região semiárida dos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba, no período de 2013 a 2021. A metodologia adotada foi a pesquisa exploratória, utilizando dados secundários da base de indicadores da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) referentes aos gastos das prefeituras investigadas. Foi aplicada estatística descritiva às variáveis despesas totais em gasto ambiental e subfunção: recursos hídricos, preservação e conservação, controle ambiental e recuperação de áreas degradadas. Os resultados revelam um cenário preocupante quanto ao financiamento da política ambiental na esfera municipal, caracterizado por grande assimetria e ausência na destinação dos gastos nos municípios que compõem a Bacia, sendo que parte significativa deles não registra sequer despesas direcionadas à gestão ambiental.
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