Transferência de dispositivos de reconhecimento da agricultura orgânica e apropriação local: uma análise sobre a Rede Ecovida

Pascal Byé, Vanice D. B. Schmidt, Wilson Schmidt

Resumo


Tem-se constatado um processo recente de transferência, da União Européia ou dos Estados Unidos para o Brasil, de dispositivos de reconhecimento da agricultura orgânica - e dos sistemas de normatização e certificação que os acompanham. Pesquisas de campo foram realizadas, em Santa Catarina, para avaliar a adaptação e a apropriação local desses sistemas. Este artigo apresenta e analisa os resultados obtidos junto a uma das três redes pesquisadas, a Rede Ecovida de Agroecologia. A Ecovida se organiza paraescapar, o mais possível, das restrições colocadas por um tipo de reconhecimento que considera "oficial", da "indústria da certificação" e das restriçoes redutoras demais, dando prioridade à venda direta para consumidores "conscientes". Essa prática militante constitui a forma mais ambiciosa de controle social da certificação. Os seus procedimentos se inscrevem no tempo longo de comunidades marcadas pelopatrimônio sociocultural da agricultura familiar e no universo relativamente estreito dos mercados de proximidade. Eles se confrontam, no entanto, com outras opções que remetem a universos mercantis mais amplos que têm tempos bastante curtos, ao traduzirem a reatividade dos operadores comerciais à transformação rápida dos modelos de consumo urbano. Indica-se, ao final, que a durabilidade, a estabilidade e a flexibilidade de cada um desses conjuntos dependeriam, em grande parte, da dinâmica que se impoe nos seus universos temporais e espaciais respectivos.

Palavras-chave


certificação da agricultura orgânica, agroecologia.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/dma.v6i0.22130



Desenvolvimento e Meio Ambiente. ISSN: 1518-952X, eISSN: 2176-9109

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