La producción capitalista de la interfaz urbano-rural: el caso de Ricaurte en Cuenca, Ecuador
DOI:
https://doi.org/10.5380/dma.v68i.101011Palavras-chave:
interface urbano-rural, produção do espaço, justiça territorial, sistema socioambiental, governança territorialResumo
A interface urbano-rural de Ricaurte, em Cuenca (Equador), é uma configuração territorial híbrida e conflituosa, produzida pela sobreposição de lógicas metropolitanas de expansão urbana, valorização imobiliária e industrialização com práticas locais de agricultura, gestão comunitária da água e reprodução cotidiana da vida. A partir de uma perspectiva crítica apoiada nas abordagens da produção do espaço, da justiça territorial e da colonialidade do poder, sustenta-se que a classificação dicotômica entre solo urbano e solo rural é insuficiente para compreender as transformações que esses territórios experimentam. Metodologicamente, a pesquisa desenvolve-se por meio de um desenho qualitativo descritivo, baseado em revisão bibliográfica, análise exploratória do caso, observação direta, percursos in situ e leitura de geoinformação secundária produzida em exercícios acadêmicos situados. Os resultados mostram que a expansão urbana em Ricaurte não apenas fragmenta o território e pressiona os recursos naturais, mas também subordina infraestruturas ecológicas e produtivas fundamentais, como riachos ou córregos, canais de irrigação e corredores agroprodutivos, ao mesmo tempo em que enfraquece formas comunitárias de governança e aprofunda processos de segregação socioespacial. Ao mesmo tempo, práticas como as mingas e as redes comunitárias de irrigação expressam resistências ativas frente à subordinação do território às lógicas do capital. Conclui-se que reconhecer a interface urbano-rural como uma categoria territorial específica permite reorientar o planejamento em direção às funções ecológicas, produtivas e comunitárias que sustentam a vida nesses espaços, constituindo-se em um ponto de partida para decisões mais integrais sobre o sistema socioambiental.
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