A POLÍTICA DE CRIAÇÃO DAS ESCOLAS SUPERIORES DE EDUCAÇÃO, EM PORTUGAL REGULAÇÃO SUPRANACIONAL E AÇÃO PÚBLICA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/jpe.v20i1.102276

Palavras-chave:

Escolas superiores de educação, Políticas Educativas, Regulação Supranacional

Resumo

As Escolas Superiores de Educação (ESE) foram formalmente criadas há 45 anos, em Portugal, sob forte influência de organizações internacionais como o Banco Mundial (BM), com o objetivo de formarem e qualificarem educadores e professores para os “primeiros anos”. Se, por um lado, esta interferência se realizou sob a égide da teoria do capital humano e o reforço de uma certa ideologia tecnocrática, por outro, permitiu a diversificação do ensino superior e a democratização do acesso, garantindo a formação de nível superior de todos os educadores e professores em todo o território nacional, nomeadamente, através das ESE, integradas no subsistema politécnico. Através de uma abordagem teórica próxima da “análise das políticas públicas”, procura-se compreender a fabricação da política pública de criação das ESE e as implicações na formação de professores decorrente da articulação entre regulação supranacional e nacional.

Biografia do Autor

Carlos Pires, Escola Superior de Educação de Lisboa

Doutor em Educação, Administração e Política Educacional. Professor Coordenador em Escola Superior de Educação de Lisboa, IPL. Lisboa, Portugal. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8098-5932, E-mail: cpires@eselx.ipl.pt.

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Publicado

2026-05-31

Como Citar

Pires, C. (2026). A POLÍTICA DE CRIAÇÃO DAS ESCOLAS SUPERIORES DE EDUCAÇÃO, EM PORTUGAL REGULAÇÃO SUPRANACIONAL E AÇÃO PÚBLICA. Jornal De Políticas Educacionais, 20(1). https://doi.org/10.5380/jpe.v20i1.102276

Edição

Seção

Dossiê: Influência Supranacional na Educação: Implicações e Tendências