Dimensão cultural e prática de professores em escolas quilombolas.
Por uma práxis humanista segundo Freire
DOI:
https://doi.org/10.1590/1984-0411.94219Keywords:
Palavras-chave, Educação Escolar Quilombola, Prática Docente, Cultura, Pedagogia Humanista.Abstract
Abordar questões que permeiam as comunidades quilombolas e suas escolas no cenário atual significa abordar uma luta política de enfrentamento e de busca de superação de uma situação excludente. Nesse sentido, a pedagogia humanista do pensador pernambucano Paulo Freire é mais uma aliada para a superação de situações excludentes, pois favorece o respeito aos saberes trazidos pelos educandos de suas vivências fora dos muros da escola. Saberes construídos socialmente na prática comunitária e que podem ser incorporados ao ensino em sala de aula. Assim, com o intuito de provocar reflexões a partir de uma abordagem qualitativa do tipo estudo de caso, sobre as possibilidades de entrelaçamentos entre educação humanista, práxis docente e cultura, partiremos do seguinte objetivo: refletir sobre a práxis dos professores de duas escolas quilombolas, situadas no extremo norte do Brasil, sobre a importância da dimensão cultural para uma prática mais humana e inclusiva, a partir de suas experiências e trajetórias. Algumas categorias antropológicas, políticas e pedagógicas foram identificadas durante as análises, as quais emergiram dos discursos e representações dos professores das escolas quilombolas participantes deste estudo, permitindo-nos reflexões coerentes com o nosso objetivo e alicerçadas na pedagogia humanista de Freire, como por exemplo: respeito, acolhimento, prática inclusiva, valorização do outro e de sua cultura, conhecimento significativo, consciência crítica, as quais são indispensáveis para uma educação mais humana, a partir de um contexto socioeducativo e cultural próprio.
References
AKKARI, Abdeljalil; SANTIAGO, Milene. La diversité ethnoculturelle des enseignants en débat: réflexions à
partir du cas brésilien. In: SANCHEZ-MAZAS, Margarita; HANGKAKOTI, Nilima; BROYON, Marie-Anne (dir.).
Éducation à la diversité: décalages, impensés, avancées. Paris: Harmattan; coll. Espaces Interculturelles, 2014.
p. 83-100.
ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo Afonso de. Estudo de caso: seu potencial na educação. Cadernos de Pesquisa, São
Paulo, n. 49, p. 51-54, 1984.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Ediçõ es 70, 2016.
BERNARDI, Clacir José; CASTILHO, Maria Augusta de. Religiosidade como elemento do
desenvolvimento humano. Revista Interações, Campo Grande, v. 17, n. 4, p. 745-756, out./dez. 2016.
DOI: https://doi.org/10.20435/1984-042X-2016-v.17-n.4(15)
BLANCHET, Alain; GOTMAN, Anne. L’enquête et ses méthodes: l’entretien. 2. éd. Paris: Armand Colin, 2010.CANDAU, Vera Maria. Diferenças culturais, cotidiano escolar e práticas pedagógicas. In: CANDAU, Vera Maria
(org.). Didática crítica intercultural: aproximações. Petrópolis: Vozes, 2012a. p. 81-106.
CANDAU, Vera Maria. Educação intercultural: entre afirmações e desafios. In: CANDAU, Vera Maria; MOREIRA,
Antônio Flavio Barbosa (org.). Currículos, disciplinas escolares e culturas. Petrópolis: Vozes, 2014. p. 24-41.
CANDAU, Vera Maria. Escola, didática e interculturalidade: desafios atuais. In: CANDAU, Vera Maria (org.).
Didática crítica intercultural: aproximações. Petrópolis: Vozes, 2012b. p. 107-136.
CANDAU, Vera Maria; LEITE, Miriam Soares. Diálogos entre diferença e educação. In: CANDAU, Vera Maria
(org.). Educação intercultural e cotidiano escolar. Rio de Janeiro: 7Letras, 2006. p. 121-139.
FERREIRO, Emilia. Cultura, escrita e educação. Porto Alegre: Artmed, 2001.
FORQUIN, Jean-Claude. O currículo entre o relativismo e o universalismo. Educação & Sociedade, Campinas,v. 21, n. 73, p. 47-70, 2000. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-73302000000400004
FREIRE, Paulo. Açã o cultural para a liberdade e outros escritos. 6. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.
FREIRE, Paulo. L’éducation: pratique de la liberté. Paris: CERF, 1971.
FREIRE, Paulo. Papel da educação na humanização. Revista FAEEBA, Salvador, n. 7, p. 9-32, jan./jun. 1997a.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. 62. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2019.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do oprimido. Notas de Ana Maria
Araújo Freire. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 78. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2021.
FREIRE, Paulo; SHOR, Ira. Medo e ousadia: o cotidiano do professor. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
JORNAL CIPÓ CULTURAL. Informativo produzido por alunos da Escola Estadual David Miranda, em Santana,
Amapá. Coordenação e editoração: Terezinha Sales. 1ª ed. Santana-AP, novembro de 2007.
MARTINEZ, María Elena; DIEZ, María Laura; THISTED, Sofía; VILLA, Alicia. Políticas e práticas de educação
intercultural. In: CANDAU, Vera Maria (org.). Educação intercultural na América Latina: entre concepções,
tensões e propostas. Rio de Janeiro: 7Letras, 2009. p. 44-73.
MENDONÇA, José Azevedo de. A humanizaçã o na pedagogia de Paulo Freire. 2006. Dissertaçã o (Mestrado
em Educação) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2006. MIGNOLO, Walter. Histórias globais/projetos locais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar.
Belo Horizonte: UFMG, 2003.
MOREIRA, Antônio Flavio Barbosa. Currículo, diferença cultural e diálogo. Educação & Sociedade, Campinas,
v. 23, n. 79, p. 15-38, 2002.
MOREIRA, Antônio Flavio Barbosa. Currículo: políticas e práticas. Campinas: Papirus, 2011.
MUNANGA, Kabengele. Negritude afro-brasileira: perspectivas e dificuldades. Revista de Antropologia [da]
Universidade de São Paulo, São Paulo, n. 33, p. 109-117, 1999. DOI: https://www.jstor.org/stable/41616059 RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de
saberes. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENEZES, Maria Paula (org.). Epistemologias do Sul. São Paulo:
Cortez, 2010. p. 29-67.
Downloads
Published
How to Cite
Issue
Section
License
Copyrights for articles published in Educar em Revista belong to the author, with the first publication copyrights reserved to the journal. The journal offers public access (Open Access), and its articles are of free use, with specific assignments, in educational and non-commercial applications.

