Dimensão cultural e prática de professores em escolas quilombolas.

Por uma práxis humanista segundo Freire

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1984-0411.94219

Palavras-chave:

Palavras-chave, Educação Escolar Quilombola, Prática Docente, Cultura, Pedagogia Humanista.

Resumo

Abordar questões que permeiam as comunidades quilombolas e suas escolas no cenário atual significa abordar uma luta política de enfrentamento e de busca de superação de uma situação excludente. Nesse sentido, a pedagogia humanista do pensador pernambucano Paulo Freire é mais uma aliada para a superação de situações excludentes, pois favorece o respeito aos saberes trazidos pelos educandos de suas vivências fora dos muros da escola. Saberes construídos socialmente na prática comunitária e que podem ser incorporados ao ensino em sala de aula. Assim, com o intuito de provocar reflexões a partir de uma abordagem qualitativa do tipo estudo de caso, sobre as possibilidades de entrelaçamentos entre educação humanista, práxis docente e cultura, partiremos do seguinte objetivo: refletir sobre a práxis dos professores de duas escolas quilombolas, situadas no extremo norte do Brasil, sobre a importância da dimensão cultural para uma prática mais humana e inclusiva, a partir de suas experiências e trajetórias. Algumas categorias antropológicas, políticas e pedagógicas foram identificadas durante as análises, as quais emergiram dos discursos e representações dos professores das escolas quilombolas participantes deste estudo, permitindo-nos reflexões coerentes com o nosso objetivo e alicerçadas na pedagogia humanista de Freire, como por exemplo: respeito, acolhimento, prática inclusiva, valorização do outro e de sua cultura, conhecimento significativo, consciência crítica, as quais são indispensáveis para uma educação mais humana, a partir de um contexto socioeducativo e cultural próprio. 

Biografia do Autor

Brigida Ticiane Ferreira da Silva, Universidade do Estado do Amapá (UEAP)

Pós-doutora em educação pela Universidade de Genebra (Suíça, 2021-2023) e pela Universidade de Friburgo (Suíça, 2013), na área da sócioantropologia da imigração.  Doutora (2009, revalidado pela USP em 2010) e mestra (2003) em Ciências da Linguagem, pela Universidade de Franche-Comté (França). Possui publicações em revistas nacionais e internacionais: França, Canadá, Suíça, Chile e Porto Rico; organizou diversas coletâneas com pesquisadores brasileiros, canadenses, franceses, suiços, etc.. Atualmente é professora efetiva do colegiado de Pedagogia da Universidade do Estado do Amapá (UEAP), líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Diversidade e Interculturalidade (GEPEDI/UEAP) e coordenadora da Especialização em Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER).

Abdeljalil Akkari, Universidade de Genebra (UNIGE

Pós-doutor pela Universidade de Baltimore (Estados Unidos). Doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra (UNIGE - Suíça), onde atua como professor e pesquisador. Foi diretor da Faculdade de Psicologia e Educação da UNIGE. É consultor da Unesco e outras organizações internacionais. Realiza estudos sobre Desigualdades Educacionais, Educação Comparada e conexões entre Culturas, Multiculturalismo e Educacão. Possui diversas publicações em inglês, espanhol, francês e português, incluindo dois livros no Brasil : Internacionalização das políticas educacionais: transformações e desafios (2011); Educação Intercultural: desafios e possibilidades (2013). 

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Publicado

2026-02-28

Como Citar

Ferreira da Silva, B. T., & Akkari, A. (2026). Dimensão cultural e prática de professores em escolas quilombolas. : Por uma práxis humanista segundo Freire. Educar Em Revista, 42. https://doi.org/10.1590/1984-0411.94219

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