A RESPONSABILIDADE CIVIL PELO VAZAMENTO DE DADOS NAS PLATAFORMAS DIGITAIS
DOI:
https://doi.org/10.5380/rrddis.v5i10.101030Palavras-chave:
Proteção de Dados (LGPD), Direito Civil, Responsabilidade Civil, STJResumo
O presente estudo buscou analisar como se dá a responsabilização civil pelo vazamento de dados nas plataformas digitais. A pesquisa objetivou analisar de que forma o ordenamento jurídico brasileiro, em conjunto com o posicionamento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), contribui para a efetivação da responsabilização civil nas hipóteses de violações à privacidade resultantes do vazamento de dados pessoais em plataformas digitais. Para tanto, o artigo empregou o método hipotético dedutivo e a pesquisa descritiva, bibliográfica e de caráter qualitativo. Foi realizada, ainda, uma análise jurisprudencial de decisões proferidas entre 2022 e 2025 pelo STJ sobre a temática da responsabilização por violação de dados pessoais. A seleção das decisões concentrou-se nos últimos três anos, critério justificado pela necessidade de examinar entendimentos mais recentes da Corte, já sob a vigência da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD - Lei nº 13.709/2018) e à luz da Emenda Constitucional nº 115/2022, que consagrou expressamente a proteção de dados pessoais como direito fundamental no ordenamento jurídico brasileiro. Pelo exame da jurisprudência do STJ, verificou-se que a Corte tem firmado o entendimento de que a exposição indevida de informações pessoais gera o dever de indenizar e configura dano moral presumido. No contexto das relações de consumo, a Corte aplica a responsabilidade objetiva do fornecedor, nos termos do artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) e do artigo 42 da LGPD, considerando que a falta de segurança no tratamento e na guarda dos dados pessoais caracteriza falha na prestação do serviço.
Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. Acesso em: 20 jun. 2025.
BRASIL. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 2014. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm. Acesso em: 23 jun. 2025.
BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Brasília, DF: Presidência da República, 2018. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709compilado.htm. Acesso em: 20 jun. 2025.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Agravo em Recurso Especial nº 2.130.619/SP. Brasília, DF: Superior Tribunal de Justiça, 2023. Disponível em: https://scon.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=202201522622&dt_publicacao=10/03/2023. Acesso em: 01 jul. 2025.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 2115461/SP. Brasília, DF: Superior Tribunal de Justiça, 2024. Disponível em: https://scon.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=202304537984&dt_publicacao=14/10/2024. Acesso em: 01 jul. 2025.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 2.147.374/SP. Brasília, DF: Superior Tribunal de Justiça, 2024. Disponível em: https://scon.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=202202209228&dt_publicacao=06/12/2024. Acesso em: 03 jul. 2025.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 2.187.854/SP. Brasília, DF: Superior Tribunal de Justiça, 2025. Disponível em: https://scon.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=202404690272&dt_publicacao=13/05/2025 Acesso em: 02 jul. 2025
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 2121904/SP. Brasília, DF: Superior Tribunal de Justiça, 2025. Disponível em: https://scon.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=202400312927&dt_publicacao=17/02/2025. Acesso em: 01 jul. 2025.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 6.387/DF. Brasília, DF: Supremo Tribunal Federal, 2020. Disponível em: https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=754357629. Acesso em: 23 jun. 2025.
CAPANEMA, Walter Aranha. A responsabilidade civil na Lei Geral de Proteção de Dados. Cadernos Jurídicos, a. 21, n. 53, p. 163-170, 2020. Disponível em: https://www.tjsp.jus.br/download/EPM/Publicacoes/CadernosJuridicos/ii_6_a_responsabilidade_civil.pdf. Acesso em: 22 jun. 2025.
DONEDA, Danilo. A proteção dos dados pessoais como um direito fundamental. Espaço Jurídico, Journal of Law, v. 12, n. 2, p. 91-108, 2011. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=4555153. Acesso em 24 jul. 2025.
DONEDA, Danido et al. Considerações iniciais sobre inteligência artificial, ética e autonomia pessoal. Pensar: Revista de Ciência Jurídica, v. 23 n. 4, 2018. Diponível em: https://ojs.unifor.br/rpen/article/view/8257/pdf. Acesso em: 05 ago. 2025.
FACHIN, Zulmar. O direito fundamental à proteção de dados pessoais: análise da decisão paradigmática do STF na ADI 6.387-DF. Revista Videre, v. 14, n. 29, p. 298–313, 2022. Disponível em: https://ojs.ufgd.edu.br/videre/article/view/15629. Acesso em: 23 jun. 2025.
MENDES, Laura Schertel Ferreira. Habeas data e autodeterminação informativa: os dois lados de uma mesma moeda. Revista Brasileira de Direitos Fundamentais & Justiça, v. 12, n. 39, p. 185–216, 2019. Disponível em: https://dfj.emnuvens.com.br/dfj/article/view/655. Acesso em: 30 jun. 2025.
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. Rio de Janeiro, RJ: Atlas, 2023. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559774944/. Acesso em: 30 jun. 2025.
MORAES, Maria Celina Bodin de; QUEIROZ, João Quinelato de. Autodeterminação informativa e responsabilização proativa. In: Proteção de dados pessoais: Privacidade versus avanço tecnológico. Cadernos Adenauer, a. XX, n. 3, p. 113-135, 2019.
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Como funcionam os algoritmos das redes sociais. Brasília, DF: Sebrae, 2023. Disponível em: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/como-funcionam-os-algoritmos-das-redes-sociais,d747b240aba76810VgnVCM1000001b00320aRCRD. Acesso em: 30 jun. 2025.
SOLER, Fernanda Galera. Proteção de dados: reflexões práticas e rápidas sobre a LGPD. Rio de Janeiro, RJ: Expressa, 2022. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786553622500/. Acesso em: 30 jun. 2025.
TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil. Rio de Janeiro, RJ: Grupo GEN, 2023.
TASSO, Fernando Antonio. A responsabilidade civil na Lei Geral de Proteção de Dados e sua interface com o Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor. Cadernos Jurídicos, a. 21, n. 53, p. 97-115, 2020. Disponível em: https://civilistica.emnuvens.com.br/redc/article/download/662/506/1387. Acesso em: 20 jun. 2025.
TEFFÉ, Chiara Spadaccini de; VIOLA, Mario. Tratamento de dados pessoais na LGPD: estudo sobre as bases legais. Civilistica.com, v. 9, n. 1, p. 1-38, 2020. Disponível em: https://civilistica.emnuvens.com.br/redc/article/view/510. Acesso em: 23 jun. 2025.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Categorias
Licença
Copyright (c) 2026 André Rambo Batistella, Jailson de Souza Araújo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Os autores declaram que qualquer texto apresentado, se aceito, não será publicado em outro meio/lugar, em inglês ou em qualquer outra língua, e inclusive por via eletrônica, salvo mencione expressamente que o trabalho foi originalmente publicado na RRDDIS - Revista Rede de Direito Digital, Intelectual & Sociedade. A Revista RRDDIS desde a sua primeira publicação, licencia todos os textos sob a Licença Creative Commons — Atribuição 4.0 Brasil — CC BY 4.0 BR, que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e da publicação inicial na Revista;
DECLARAÇÃO DE DIREITO AUTORAL Os autores que publicam na Revista RRDDIS concordam com os seguintes termos: – os autores mantêm os direitos autorais e transferem à Revista o direito de primeira publicação, com o trabalho licenciado sob a Licença Creative Commons — Atribuição 4.0 Brasil — CC BY 4.0 BR, que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e da publicação inicial na Revista; – os autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada na Revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento da autoria e da publicação inicial na Revista; – qualquer pessoa é livre para compartilhar (copiar e redistribuir o trabalho em qualquer suporte ou formato) e para adaptar (remixar, transformar e criar a partir do trabalho) para qualquer fim, mesmo que comercial, devendo todavia, em qualquer caso, dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas no trabalho original, nos termos da Licença Creative Commons — Atribuição 4.0 Brasil — CC BY 4.0 BR e respeitados a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, e outros normativos vigentes.
