A construção de um conceito sistêmico de software na Sociedade Informacional.
DOI:
https://doi.org/10.5380/rrddis.v6i11.104967Palavras-chave:
Software, Sociedade Informacional, Bem informacional sistêmico, Direito Autoral, Propriedade Intelectual, Direito Digital, Inteligência Artificial, Lei de Software, Interoperabilidade, Bens informativosResumo
O presente artigo analisa a construção de um conceito sistêmico de software na Sociedade Informacional, a partir da insuficiência da definição tradicional do programa de computador como simples conjunto de instruções específicas ao funcionamento de uma máquina. Parte-se do problema de saber se a tutela autoral, historicamente exigida para a proteção dos programas de computador, é suficiente para explicar sua natureza jurídica contemporânea. A hipótese sustentada é que o software deve ser compreendido como bem informacional sistêmico, situado na interseção entre criação intelectual, funcionalidade técnica, circulação econômica e organização informacional. Para tanto, utiliza-se a abordagem jurídico-dogmática, histórica-evolutiva, comparativa e teórico-conceitual, com análise da experiência internacional, da União Europeia e do regime brasileiro, especialmente a partir da Lei n.º 9.609/98, da Lei n.º 9.610/98, do Acordo TRIPS e da Diretiva 2009/24/CE. O estudo demonstra que a proteção autoral permanece essencial para resguardar a expressão codificada do programa, notadamente o código-fonte e o código-objeto, mas não esgota a complexidade técnica, econômica e regulatória do software. Conclui-se que sua tutela jurídica deve ser interpretada de forma integrada, considerando arquitetura, algoritmos, interfaces, bases de dados, documentação, ambiente de execução, interoperabilidade, contratos, inovação, concorrência, proteção de dados, inteligência artificial e direitos fundamentais. Assim, o software deve ser compreendido não apenas como obra intelectual ou ativo econômico, mas como infraestrutura lógica de organização da informação e categoria estratégica para a regulação dos bens informacionais na era digital.
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