Dos Preconceitos Históricos aos Algoritmos: a continuidade da discriminação racial em plataformas digitais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/rrddis.v6i11.104608

Palavras-chave:

Racismo algorítmico, Opressão algorítmica, Discriminação digital, Plataformas digitais, Responsabilização

Resumo

RESUMO: Este artigo analisa como os algoritmos, por meio das plataformas digitais, perpetuam discriminações raciais na contemporaneidade. A investigação estabelece paralelos entre as práticas discriminatórias algorítmicas e os padrões de discriminação racial no Brasil (os quais são corriqueiramente eclipsados pelo mito da democracia racial), evidenciando continuidades estruturais na opressão de grupos racializados. Mediante pesquisa bibliográfica fundamentada nos trabalhos de Tarcízio Silva e Safiya Umoja Noble, o estudo examina os conceitos de racismo algorítmico e opressão algorítmica. Tarcízio Silva conceitua o racismo algorítmico como a ordenação racializada de classificação social, recursos e violência realizada por meio de tecnologias e imaginários sociotécnicos em um mundo moldado pela supremacia branca. Noble, por sua vez, define opressão algorítmica como falhas de dados guiadas por algoritmos que sublinham as formas estruturais pelas quais o racismo e o sexismo tornaram-se explícitos nas tecnologias digitais. A pesquisa demonstra que a discriminação algorítmica constitui manifestação do racismo estrutural enraizado na sociedade, reproduzindo e amplificando desigualdades históricas no ambiente digital. Por meio da análise de casos concretos em plataformas como Facebook e LinkedIn, o estudo evidencia como mulheres negras e outros grupos minorizados são sistematicamente direcionados a posições subalternas pelos sistemas de recomendação algorítmica. Por fim, o artigo examina os marcos normativos brasileiros e comparados, identificando possibilidades de responsabilização jurídica das plataformas digitais e propondo caminhos para o enfrentamento do racismo algorítmico mediante transparência e responsabilidade das Big Techs.
Palavras-chave: Racismo algorítmico. Opressão algorítmica. Discriminação digital. Plataformas digitais. Responsabilização.

 

Biografia do Autor

Stéfany Pina Barbosa, Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo

Stéfany Pina Barbosa
Advogada, pós-graduada em Direito Processual Civil e mestranda em Direito pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo (FDSBC).
E-mail: stefany.barbosa@direitosbc.br
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6960710157614832
ORCID: https://orcid.org/0009-0000-5915-7254

Pablo Biondi, https://orcid.org/0000-0002-7733-344X

Pablo Biondi
Pós-doutor pela Faculdade de Direito da USP. Professor da mesma instituição, vinculado ao Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social. Docente permanente do programa de pós-graduação stricto sensu da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.
E-mail: pablo.biondi@direitosbc.br
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7676702845345167
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7733-344X

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Publicado

2026-07-06

Como Citar

Barbosa, S. P., & Biondi, P. (2026). Dos Preconceitos Históricos aos Algoritmos: a continuidade da discriminação racial em plataformas digitais. Revista Rede De Direito Digital, Intelectual & Sociedade, 6(11), 253–277. https://doi.org/10.5380/rrddis.v6i11.104608

Edição

Seção

Parte III - Inovação, direito digital e tecnologia

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