AUDITAR A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL É AUDITAR O PODER?
UMA LEITURA CRÍTICA DE AUDITING AI
DOI:
https://doi.org/10.5380/rrddis.v6i11.104477Palavras-chave:
Direito Digital, inteligência artificial, auditoria algorítmica, accountability, governança tecnológicaResumo
A presente resenha crítica examina a obra Auditing AI, publicada pela The MIT Press em 2026, com o objetivo de discutir sua contribuição para o Direito Digital, em especial para os debates sobre auditoria algorítmica, accountability, assimetria informacional, prova de discriminação automatizada e governança de sistemas de inteligência artificial. A análise adota abordagem crítico-bibliográfica e sustenta que a principal virtude da obra consiste em retirar a auditoria de IA do confinamento técnico, recolocando-a no campo da evidência pública, da responsabilidade institucional e do controle de arquiteturas decisórias opacas. O limite mais sensível do livro, contudo, aparece quando a auditoria é tomada como se fosse mecanismo suficiente de responsabilização. A auditoria pode detectar padrões, organizar controvérsias e constranger narrativas corporativas, mas não produz, por si, sanção, reparação, suspensão de sistemas ou correção estrutural. Conclui-se que Auditing AI é obra oportuna e juridicamente relevante, desde que lida contra sua própria domesticação tecnocrática: auditar sistemas de IA só importa quando a prova obtida consegue deslocar incentivos, poderes e deveres.
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