Em torno da coisa e da letra: Clarice com Heidegger e Lacan.

ALEX KEINE DE ALMEIDA SEBASTIÃO

Resumo


O arrebatamento provocado no leitor pela escrita de Clarice Lispector é algo difícil de se explicar. A experiência de leitura guarda sempre certa singularidade, variando o ponto em que o leitor é mobilizado. Ainda assim, podemos arriscar construir hipóteses que delineiam alguns vetores dessa potência do texto. Em sua fase final, a escrita clariciana se dobra sobre si mesma e envereda pelos mistérios desse movimento que é escrever. Clarice evoca um momento fundamental da experiência humana que reside sobre a relação das palavras com as coisas, ou da linguagem com o ser. O trauma da entrada na linguagem é carregado por todos e cada um de nós. Trata-se de um velho conhecido que se renova sempre que tentamos nomear isso que da realidade nos escapa. Propomos, neste trabalho, fazer um breve percurso no texto de Água viva e de Um sopro de vida, a partir da articulação de dois significantes: coisa e letra. Como horizonte teórico, invocamos a formulação dada por Heidegger à questão "que é uma coisa?", bem como o pensamento de Lacan acerca da noção de letra.  


Palavras-chave


coisa; letra; Clarice Lispector

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/rel.v98i0.61008

Revista Letras - ISSN 0100-0888 (versão impressa) e 2236-0999 (versão eletrônica)

 

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