HORTAS COMO MODOS DE EXISTÊNCIA?

UM ESTUDO COM ESCUTAS EPIDÉRMICAS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/diver.v18i1.99667

Palavras-chave:

Insurgência camponesa, Decolonialidade, Corpo-território, Bruno Latour

Resumo

Este artigo investiga como as hortas camponesas constituem modos de existência que operam num registro contracolonial, analisando suas práticas como formas alternativas de produção de conhecimento e organização social. Articulamos a Investigação sobre os Modos de Existência com a cosmopercepção presente nas práticas camponesas, desenvolvendo o conceito metodológico de escuta epidérmica, uma abordagem sensível que captura saberes encarnados nos gestos, ciclos e memórias que permeiam as hortas. Através de escrevivências das próprias autoras, identificamos três eixos centrais: (1) as hortas como espaços pedagógicos onde o conhecimento se transmite corporalmente, (2) as sementes crioulas como arquivos bioculturais de resistência ao epistemicídio, e (3) os ciclos lunares como sistemas de conhecimento. Nossas conclusões apontam para as hortas como modos de existência que configuram pluriversos concretos, onde economia, espiritualidade e educação se entrelaçam de forma não dicotômica. O redemoinho contracolonial que descrevemos revela nas hortas não apenas espaços de cultivo, mas projetos existenciais completos que desafiam as ontologias modernas.

Biografia do Autor

Geisieli Oliveira, Columbia University

Doutora em Educação e Ciências, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Mestre me Educação tecnológica pelo Centro Federal de educação tecnológica de minas gerais (CEFET-MG), Especialista em Tutoria em Educação a Distância; História e cultura Africana e Afro-brasileira e Educação Ambiental e Graduada em ciências Biológicas pela Universidade federal de Minas Gerais (UEMG). Atualmente trabalha como consultora educacional e pesquisadora do Laboratório Brasileiro de Inteligências Artificial na Educação Basica ( TLTL- Columbia University) 

Mariana Dias Duarte Borchio, https://orcid.org/0009-0009-0615-6544

Titulação: Mestrado em Educação e Docência pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Especialista em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Graduada em Psicologia (PUC/MG), Artes Plásticas (UEMG) e Pedagogia (FACON). Especialista em Educação Básica na rede estadual de educação do estado de Minas Gerais E-mail: mariana.borchio@gmail.com

Maria Fernanda de Sousa Santos, UFMG

Estudante do curso de Licenciatura em Educação do Campo pela UFMG, na habilitação em Ciências da Vida e da Natureza. Mulher geraizeira, nascida e enraizada no norte de Minas Gerais, é filha da comunidade Moreira, de onde carrega os saberes da terra, da água e das resistências coletivas. Atua na intersecção entre os conhecimentos científicos e os saberes tradicionais, fortalecendo práticas educativas que respeitam e cultivam os modos de vida do Cerrado.

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Publicado

29-12-2025

Como Citar

Oliveira, G., Borchio, M. D. D., & Santos, M. F. de S. (2025). HORTAS COMO MODOS DE EXISTÊNCIA? UM ESTUDO COM ESCUTAS EPIDÉRMICAS. Divers@!, 18(1). https://doi.org/10.5380/diver.v18i1.99667