A Rede de Drenagem como Reflexo da Atividade da Faixa Tectônica Cruzeiro do Sul na Margem Continental Sudeste
DOI:
https://doi.org/10.5380/raega.v66i1.99459Resumo
A Faixa Tectônica Cruzeiro do Sul é uma zona de deformação e magmatismo atuante desde a Elevação do Rio Grande, passando pelos Montes Submarinos Jean Charcot e pelos Altos de Cabo Frio e Paranaíba. Este trabalho caracterizar a deformação associada a essa feição tectônica na porção emersa da crosta continental através de mapas de lineamentos, análise do padrão de drenagem e aplicação de índices geomórficos que permitam quantificar e interpretar os processos deformacionais. A Faixa apresenta direção preferencial NW–SE, refletida tanto nos lineamentos estruturais quanto na orientação dos sistemas de drenagem. Sua influência é expressiva nas falhas de transferência do Rifte Continental do Sudeste do Brasil, bem como no condicionamento dos cursos fluviais que deságuam no Rio Paraíba do Sul, como exemplificado pelo Rio Paraibuna. Na borda oeste da Baía de Guanabara promove a retilinização de canais e rios e a formação de um padrão de drenagem circular. Na interseção com o Rio Paraíba do Sul, promove aumento na sinuosidade do canal e no índice de gradiente, reforçando o controle estrutural da faixa sobre a rede hidrográfica encapsulada pela largura da faixa. Os registros geológicos ao longo da direção NW–SE, que se estende da Elevação do Rio Grande, próxima à região central do Atlântico Sul, até o interior do Brasil, demonstram que a Faixa Tectônica Cruzeiro do Sul constitui uma feição magmático-tectônica de longa duração. Sua atividade iniciou-se no Santoniano, intensificou-se no final do Eoceno e prolonga-se até os dias atuais, condicionando a evolução geomorfológica da região.
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