BLANCHOT E HÖLDERLIN: IMPULSO AO ABISMO E INFIDELIDADE DIVINA

Jorge Luiz Viesenteiner

Resumo


O objetivo desse texto é relacionar Blanchot e Hölderlin através
do percurso de dois momentos do itinerário poético de
Hölderlin: por um lado, os textos da juventude em que o poeta
anseia por um sentimento de unidade ou conciliação entre
natureza e arte, cuja unidade deve se realizar no personagem
trágico, realização conciliatória que ocorre de forma trágica
numa espécie de impulso ao abismo impulso à morte ; e, por
outro lado, a noção de infidelidade divina que aparece na
maturidade de Hölderlin a propósito da apresentação do trágico,
quer dizer, uma espécie de impulso que resta ao homem apenas
fidelidade à terra depois que o poeta experimenta a noite do
afastamento dos deuses. O percurso do artigo é norteado pelas
reflexões de Blanchot a partir de dois textos em que ele trata de
modo mais sistemático a questão do trágico: A palavra
sagrada de Hölderlin, publicado em A parte do fogo e O
itinerário de Hölderlin que aparece em O espaço literário,
textos em que, respectivamente, abordam os dois momentos
distintos de Hölderlin. Assim, essa relação indica que o herói
trágico de Hölderlin se faz reconhecer também nas reflexões
de Blanchot sobre o poeta e sua existência trágica. Ambos são
seduzidos ou pela Totalidade do pathos sagrado ou pela
fidelidade incondicional à terra; seduzidos pelo impulso ao
abismo ou pela Circe da infidelidade divina.

Palavras-chave


Trágico; impulso ao abismo; infidelidade divina; Tragic; impulse to abyss; divine infidelity

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/rel.v67i0.5523

Revista Letras - ISSN 0100-0888 (versão impressa) e 2236-0999 (versão eletrônica)

 

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