O BRANCO, A DUPLICIDADE E A REPRESENTAÇÃO COMO SIGNOS DE MORTE

Paulo Venturelli

Resumo


O conto Los buenos servicios, de Julio Cortázar, é narrado do
ponto de vista da senhora Francinet, que é também a
personagem principal. Ela costuma trabalhar como empregada
doméstica e está no fim de carreira, uma vez que suas mãos
trêmulas já não lhe permitem desempenhar bem suas funções.
Certa feita, é contratada pela família dos Rosay para servir
numa festa. Sua tarefa será cuidar dos cães dentro de um quarto
fechado. Mais tarde, os Rosay lhe pedem para representar a
mãe de Bébé no velório deste. Bébé é costureiro da alta moda e
fizera amizade com Francinet durante aquela festa. Nossa
preocupação, neste artigo, é analisar os elementos composicionais do conto em que a duplicidade, a representação
de papéis e a cor branca, além de indiciarem a morte, são recursos
sutis para Cortázar introduzir a homossexualidade na narrativa.
Em nenhum momento os fatos são explicitados. Apenas o grupo
de Bébé, composto por rapazes, usa nomes femininos. Então,
queremos buscar o sentido real dos bons serviços e de como
estes ocorrem num clima de ambigüidade, quando as cenas
narradas não são o que parecem ser.

Palavras-chave


Cortázar; homoerotismo; representação e morte; Cortazar; homoeroticism; representation and death

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/rel.v66i0.5104

Revista Letras - ISSN 0100-0888 (versão impressa) e 2236-0999 (versão eletrônica)

 

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