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ALGUNS PROBLEMAS DA INFLUÊNCIA TUPI NA FONÉTICA E MORFOLOGIA DO PORTUGUÊS POPULAR DO BRASIL

Affonso Robl

Resumo


A natureza de sistema fechado dos fonemas e morfemas de determinada lingua levou alguns lingüistas a negar a possibilidade de empréstimos fónicos e mórficos. Mas essa posição é insustentável diante de uma análise mais acurada dos crioulos, onde inegavelmente a lingua-base se acha penetrada de elementos nativos.
A causa dos empréstimos é, na essência, de ordem sóciocultural: a ação dos aloglotas consiste na precipitação da deriva, no aceleramento brusco das tendências pré- xistentes.Da interação lingüística entre portugueses e tupis formou-se, primeiramente, a "língua geral" (que não se confunda com o tupi jesuítico), em que a língua portuguesa atuou como superstrato. Com o declínio do "brasiliano", forjaram-se crioulos ou semicrioulos.
A ação aloglótica dos índios tupis e dos negros bantosudaneses provocou no português popular do Brasil umtratamento peculiar das consoantes "líquidas" e dos encontrosconsonanticos; bem como simplificação extremas das flexões nominais e verbais.
Embora os empréstimos de morfemas, sobretudo categóricos,sejam muito raros, o português deve ao tupi os sufixos -rana (brancara), -guara (parnanguara) e -oara (marajoaru). E em conclusão, o contacto entre portugueses e tupis e africanos não implicou na introdução de elementos gramaticais tupínicos no português do Brasil, tirante uns trêsmorfemas sufixiais. Na realidade, o que houve foram adaptações fonéticas e reduções morfológicas, vale dizer, verificou-se apenas uma ação aloglótica, que acetuou o caráter conservador e, principalmente, acelerou a deriva inovadora: duas tendências do português do Brasil.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/rel.v34i0.19304