INFLUÊNCIA SUPRANACIONAL NA EDUCAÇÃO EM ANGOLA: IMPLICAÇÕES NA PRIMEIRA REGULAMENTAÇÃO DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES
DOI:
https://doi.org/10.5380/jpe.v20i1.103163Palavras-chave:
Regulação supranacional, Formação de professores em Angola, Políticas educacionais, Influência de organismos internacionaisResumo
Partindo do pressuposto de que a regulação supranacional se manifesta historicamente de diferentes formas, influenciada por dinâmicas políticas e econômicas, ora de modo coercivo, associada a condicionalidades financeiras, ora de forma mais difusa, por meio de diretrizes orientadoras dotadas de poder implícito (Valle, 2015), este artigo analisa a influência da regulação supranacional na primeira regulamentação da formação de professores em Angola, materializada no Estatuto do Subsistema de Formação de Professores. Esse diploma estabeleceu as normas gerais para a formação de professores de nível médio destinados ao exercício da docência na Educação Pré-Escolar, no Ensino Primário e no I Ciclo do Ensino Secundário, bem como os parâmetros para a formação de Agentes de Educação nas áreas de gestão administrativa e pedagógica (Angola, 2011). Trata-se do primeiro normativo específico da política de formação de professores no país cuja formulação evidencia a participação de múltiplos atores internacionais. Destacam-se a Unicef, o Banco Mundial e a União Europeia, com contributos financeiros e de assistência técnica, mediante o envolvimento de especialistas e agências de consultoria provenientes de Portugal e da Bélgica, bem como da UNESCO enquanto instituição indutora de políticas, influenciando o processo por meio de relatórios e fóruns mundiais de educação. A análise do normativo revela um alinhamento com diretrizes internacionais, traduzido na valorização da responsabilização docente, da pedagogia das competências, de princípios meritocráticos, refletindo tendências globais de reforma educacional e de regulação supranacional.
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