O ATAQUE CONSERVADOR À FORÇA DE TRABALHO DOCENTE

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Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/jpe.v19i1.99267

Palavras-chave:

Política educacional; Neoliberalismo; Pensamento conservador na educação

Resumo

O artigo desvela o caso brasileiro, no contexto de hegemonia do neoliberalismo, quando o capital financeiro se sobrepôs ao capital produtivo e o pensamento conservador acirrou a sua disputa, contrapondo-se às políticas educacionais implementadas entre os anos de 2003 a 2015. Trabalhou-se com a legislação educacional, programas de governo e material da imprensa. A política educacional de 2003 a 2015 logrou ampliação de direitos a setores da população e aos professores. Foi contra essa ampliação que o pensamento conservador se insurgiu, ainda antes de se tornar governo, seja por meio de golpe de Estado, ou por eleição direta. O ataque do pensamento ultraconservador à educação iniciou em 2003 e aprofundou-se no contexto de construção e aprovação do Plano Nacional de Educação 2014-2024. Quando tais forças sociais chegaram ao poder de Estado, intentaram transformar o objeto de disputa em políticas nos campos econômico e educacional. No campo econômico, o embate expressou-se em retiradas de direitos, por meio de contrarreformas. No campo educacional, pelo plano moral e intelectual. O alvo principal dos ataques foi a força de trabalho docente.

Biografia do Autor

Maria Dilnéia Espindola Fernandes, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)

Doutora em Educação. Professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Campo Grande, MS. Brasil. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-5218-8541. E-mail: mdilneia@uol.com.br

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Publicado

2025-10-31

Como Citar

Fernandes, M. D. E. (2025). O ATAQUE CONSERVADOR À FORÇA DE TRABALHO DOCENTE: Português. Jornal De Políticas Educacionais, 19(1). https://doi.org/10.5380/jpe.v19i1.99267

Edição

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Artigos