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Terminologia Musical e Origem do Fado: cultura política e identidade nacional nos estudos musicológicos de Mário de Andrade, publicados na revista Illustração Musical (1930-1931)

Ednardo Monteiro Gonzaga do Monti

Resumo


O horizonte do presente artigo são as questões do Modernismo e sua vinculação com a cultura política, pela perspectiva da identidade nacional, nos estudos musicológicos Terminologia Musical e Origem do Fado, escritos por Mário de Andrade e publicados na revista Illustração Musical. Este periódico é a principal fonte documental mobilizada neste trabalho. A revista, dirigida pelo maestro Oscar Lorenzo Fernandez, circulou entre músicos, educadores, frequentadores de teatros, salas de concerto, conservatórios e escolas de música do Brasil, entre 1930 e 1931. A discussão aqui proposta indica que Andrade ressaltava a necessidade de uma terminologia musical originalmente nacional e reivindicava a brasilidade na origem do Fado. Porém, sem desvalorizar a produção e a aceitação portuguesas desse estilo musical. Percebe-se que a construção de uma terminologia musical nacional significava uma possível conexão do Movimento Modernista com a cultura política iniciada no Governo Vargas e, ao mesmo tempo, uma continuidade que contrapunha as ideias dos críticos que condenavam o Modernismo, considerando-o apenas um evento (Semana de Arte Moderna, que aconteceu na cidade de São Paulo, em fevereiro de 1922), com data específica e público glamoroso. Observa-se, também, que Andrade entendia o “achado da origem” do Fado como parte do processo de consolidação da cultura nacionalista brasileira, capaz de captar recursos do Estado, visando à ampliação da arte nacionalista em expansão naquele período.


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