ENTRE REMOS E ENXADAS
EDUCAÇÃO DO CAMPO E AGROECOLOGIA NAS MARÉS DE (RE)EXISTÊNCIA CAIÇARA
DOI:
https://doi.org/10.5380/diver.v18i1.99494Palavras-chave:
Temas Geradores, Cultura Caiçara, Roça de Mutirão, Saberes TradicionaisResumo
Este artigo analisa a articulação entre Educação do Campo e Agroecologia a partir da experiência pedagógica da Roça de Mutirão como tema gerador desenvolvido em comunidades caiçaras insulares de Guaraqueçaba, no litoral do Paraná. A pesquisa parte da constatação de que os currículos escolares frequentemente desconsideram os saberes territoriais e a cultura dos povos tradicionais, reforçando práticas descontextualizadas e excludentes. Frente a isso, defende-se a necessidade de uma educação enraizada no território, que valorize os modos de vida e as práticas sustentáveis locais. O objetivo central é compreender de que forma a prática agroecológica da Roça de Mutirão, incorporada ao cotidiano escolar como tema gerador, pode contribuir para uma formação crítica, contextualizada e ecossocialmente comprometida. A metodologia adotada é de natureza qualitativa, com base em pesquisa participante e análise reflexiva de práticas já desenvolvidas, respeitando os limites éticos da não identificação de sujeitos. Os resultados demonstram que o trabalho com temas geradores, como a Roça de Mutirão, potencializa a interdisciplinaridade, amplia o engajamento dos educandos e fortalece a identidade cultural e territorial nas escolas do campo. Conclui-se que a agroecologia, quando aliada à pedagogia freireana, representa uma estratégia potente de (re)existência coletiva, especialmente em territórios marcados por conflitos ambientais e invisibilização social.
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