A FORMAÇÃO DE PROFESSORES À LUZ DOS CONHECIMENTOS TRADICIONAIS
EXPERIÊNCIAS E RESISTÊNCIAS NA LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO DO CAMPO NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
DOI:
https://doi.org/10.5380/diver.v18i1.100067Palavras-chave:
Educação do Campo, Formação docente, Educação Superior, DecolonialidadeResumo
Este artigo discute a formação inicial de professores na Licenciatura em Educação do Campo (LECAMPO) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), tomando como referência a experiência desenvolvida entre 2018 e 2020 no âmbito de uma pesquisa de mestrado. A partir de uma abordagem qualitativa, que envolveu análise documental, observação participante e entrevistas com estudantes, professores e coordenadores do curso, investigam-se as contribuições das práticas pedagógicas da LECAMPO para a valorização dos conhecimentos tradicionais e o enfrentamento à colonialidade do saber. A análise evidencia que a formação docente no curso articula dimensões políticas, epistemológicas e pedagógicas, operando em resistência às lógicas hegemônicas da ciência moderna e à racionalidade eurocêntrica que historicamente marginalizam os modos de vida e os conhecimentos dos povos do campo. Por meio da pedagogia da alternância, da itinerância e do diálogo de saberes, a LECAMPO/UFPR emerge como espaço de construção de uma práxis educativa comprometida com a transformação social, a justiça territorial e a autonomia dos sujeitos coletivos do campo. Experiências como a da LECAMPO constituem-se como estratégias decoloniais potentes na formação de educadores e educadoras comprometidos com a construção de outros projetos de sociedade, enraizados nas realidades e resistências dos territórios camponeses.
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