O ritual como narrativa: autoetnografia com uma curadora local na Bulgária

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/cra.v26i2.97369

Resumo

O objetivo desse artigo é refletir sobre a ideia de rito como construção narrativa a partir de uma autoetnografia realizada com uma “curadora local”, moradora de uma comunidade na Bulgária que reúne populações de origem turca, “cigana” e búlgara. A base teórica dessa investigação transita entre saberes da antropologia, história e psicanálise. Ela foi realizada por meio de uma releitura, não de uma aplicação, do aparato metodológico desenvolvido por Ernesto de Martino no que concerne à prática ritual como des-historificação da dor subjetiva, e na ferramenta simbólica do ato de fala e da construção narrativa do sofrimento como desenvolveu Michel de Certeau. Desse modo, o ritual é compreendido não apenas como uma oferta mágica de resolução de problemas para aqueles que o procuram, mas como uma construção narrativa e subjetiva em conjunto, envolvendo todos os participantes.

Biografia do Autor

Tiago Pires, Instituto de Estudos de Etnologia e Folclore no Museu Etnográfico, Academia Búlgara de Ciências (IEFEM-BAS).

Pesquisador de pós-doutorado no Departamento de Antropologia Médica - Instituto de Estudos de Etnologia e Folclore no Museu Etnográfico, Academia Búlgara de Ciências (IEFEM-BAS), e faço parte do Projeto Leviathan, financiado pelo ERC (European Research Council) (854503-Leviathan-ERC-2019SyG).Doutor e mestre em História pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Mestre em Sociologia pelo programa interinstitucional das universidades Roma Tre, La Sapienza e Tor Vergata, Itália. 

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Publicado

2026-06-03

Como Citar

Pires, T. (2026). O ritual como narrativa: autoetnografia com uma curadora local na Bulgária. Campos - Revista De Antropologia, 26(2). https://doi.org/10.5380/cra.v26i2.97369

Edição

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Artigos