Rumo ao Brasil Criativo: desafios e perspectivas da Política Nacional de Economia Criativa

Autores

  • Claudia Sousa Leitão Secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura

DOI:

https://doi.org/10.5380/rrddis.v5i10.102980

Resumo

O artigo apresenta uma ampla reflexão histórica, conceitual e política sobre a economia criativa e sua institucionalização no Brasil, culminando na formulação da Política Nacional Brasil Criativo. Inicialmente, reconstrói a emergência internacional do conceito de economia criativa desde os anos 1990, destacando sua consolidação acadêmica e governamental em países anglófonos e sua posterior difusão global, com apoio de organismos multilaterais como a UNCTAD. No Brasil, o tema ganha relevo a partir de 2004, mas sofre descontinuidades institucionais até a criação da Secretaria da Economia Criativa (SEC) em 2011, extinta em 2015 e retomada apenas em 2025. A Política Brasil Criativo propõe reconhecer a economia criativa como estratégia permanente de desenvolvimento sustentável, articulando cultura, trabalho, renda, diversidade, inovação e inclusão. Amplia o conceito tradicional ao adotar a noção de ecossistemas culturais e criativos, alinhada ao novo Framework da Unesco, que entende a cultura como um ecossistema interdependente gerador de valor simbólico, social e econômico. O texto enfatiza a necessidade de indicadores próprios, sensíveis às realidades do Sul Global, criticando o imperialismo cognitivo e as assimetrias da propriedade intelectual. Também aborda desafios contemporâneos, como a inteligência artificial e a proteção dos direitos autorais, defendendo regulação que valorize o trabalho criativo. Por fim, dialoga com o pensamento de Celso Furtado para sustentar que o desenvolvimento deve ser orientado por valores culturais, autonomia e bem viver, afirmando o direito à criatividade como condição central para um Brasil verdadeiramente criativo.

Biografia do Autor

Claudia Sousa Leitão, Secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura

Graduada em Direito pela Universidade Federal do Ceará - UFC (1981) e em Educação Artística pela Universidade Estadual do Ceará - UECE (1982). É mestra em Sociologia Jurídica pela Universidade de São Paulo - USP (1988) e doutora em Sociologia pela Sorbonne, Université René Descartes, Paris V (1993). É consultora ad hoc em Economia Criativa para a Organização Mundial do Comércio - OMC, para a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento - UNCTAD (2013 a 2016) e para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura UNESCO (2023 3 e 2024). É diretora do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento. É a atual Secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura (2025).

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Publicado

2026-02-20

Como Citar

Leitão, C. S. (2026). Rumo ao Brasil Criativo: desafios e perspectivas da Política Nacional de Economia Criativa. Revista Rede De Direito Digital, Intelectual & Sociedade, 5(10), 331–345. https://doi.org/10.5380/rrddis.v5i10.102980

Edição

Seção

Parte V - Resenhas e outros estudos

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