Sobreposição entre Unidades de conservação e Territórios Quilombolas: Implicações Socioambientais
DOI:
https://doi.org/10.5380/raega.v65i1.100769Resumo
Este artigo analisa os conflitos socioambientais gerados pelas sobreposições territoriais entre Unidades de Conservação (UCs) e Territórios Tradicionais (TTs) no Brasil, com foco em Terras Indígenas (TIs) e Territórios Quilombolas (TQs). A pesquisa se fundamenta em técnicas de geoprocessamento aplicadas a dados oficiais do INCRA, FUNAI, MMA e IBGE, com o objetivo de mapear e quantificar as áreas de interseção entre diferentes categorias de UCs e TTs, assim como identificar os biomas afetados. Os resultados revelam um cenário crítico de sobreposições, afetando 45,8% da área total dos TQs e 10,7% da área total das TIs. A maior tensão reside na sobreposição com UCs de Proteção Integral (PI), que impõem restrições de uso e geram insegurança jurídica, sendo mais acentuada nas TIs (63 casos) do que nos TQs (27 casos). A concentração das sobreposições de TIs na Amazônia e a dispersão dos TQs em outros biomas (Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga) indicam a necessidade de abordagens regionalizadas. Conclui-se que a ausência de instrumentos eficazes de gestão e de mecanismos participativos acentua os conflitos e compromete tanto os objetivos de conservação quanto os direitos territoriais dos povos tradicionais. O estudo propõe a integração de políticas ambientais e fundiárias e o fortalecimento de estratégias de gestão compartilhada como caminhos para a promoção da justiça socioambiental.
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