O GUIA DO AFROTURISMO NO BRASIL SOB A ÓTICA DA GEOGRAFIA
DOI:
https://doi.org/10.5380/geografar.v20i2.102280Resumo
Este artigo analisa os roteiros e experiências apresentados no Guia do Afroturismo no Brasil, lançado em 2024 pelo Ministério do Turismo em parceria com a UNESCO, buscando compreender como as diferentes regiões do país se configuram como territórios de memória e resistência negra. O Guia insere-se no contexto de institucionalização do afroturismo como política pública através do Programa Rotas Negras, suscitando debates sobre a forma como o Estado constrói e divulga essas experiências. A pesquisa adota uma abordagem geográfica e documental, tratando o Guia como instrumento de representação territorial. A análise interpretativa do corpus documental baseou-se em categorias da Geografia Cultural e da Geografia do Turismo, interpretando o afroturismo como um fenômeno politicamente orientado e um processo de reterritorialização crítica. Com base nas teorias de autores como Milton Santos (2006) e Claude Raffestin (1993), foi possível examinar a disputa por narrativas e o reconhecimento dos lugares de memória afro-brasileira. Os resultados evidenciam uma distribuição desigual das iniciativas, com forte concentração no Nordeste (22 roteiros) e Sudeste (19 roteiros), que se configuram como polos simbólicos. O Nordeste atua como território-síntese da ancestralidade, enquanto o Sudeste foca na reterritorialização urbana e no combate à invisibilidade. Por outro lado, regiões como o Norte e Centro-Oeste priorizam o fortalecimento comunitário e o vínculo com a natureza, enquanto o Sul reflete a urgência da reafirmação da memória em face do apagamento histórico. Conclui-se que o Guia é uma importante inciativa para o afroturismo, mas a distribuição desigual dos roteiros revela disparidades regionais que afetam o acesso das comunidades negras às políticas de turismo e cultura. O afroturismo, sob uma perspectiva geográfica, pode contribuir para a construção de uma cartografia negra pautada na ancestralidade e na justiça espacial, assumindo um caráter educativo e emancipador.
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