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Diálogos sobre violência obstétrica e parto humanizado na extensão universitária: exercendo a educação popular em saúde no cenário da sala de espera

Gabriel Junes Mendes, Laura Ferreira Costa, Laura Mateus Borges, Eduarda Vilela Silva, Hector Batista Silva, Isabelle Braga Macedo, Loueiny Amaro Honda, Andressa Ribeiro Lopes da Silva, Márcia Aires Rodrigues de Freitas

Resumo


Introdução: O termo "violência obstétrica" compreende os atos da equipe de saúde que desrespeitam a autonomia e a integridade das gestantes e parturientes e seus bebês. Um dos instrumentos usados na cidade de Uberlândia/MG para coibir a violência obstétrica é o Plano de Parto, que busca levar as gestantes à reflexão sobre seus direitos e desejos no momento do parto. Objetivo: Relatar uma ação extensionista realizada por estudantes de Medicina vinculados à IFMSA Brazil UFU sobre a violência obstétrica, o Plano de Parto e sua importância. Metodologia: A ação foi executada no ambulatório de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Clínicas de Uberlândia da UFU (HCU-UFU) e teve como público-alvo gestantes de baixo risco aguardando atendimento. O disparador da conversa foi o Plano de Parto. Tratando-se de uma atividade exclusivamente educativa, não houve necessidade de submissão do projeto ao sistema CEP/CONEP. Resultados: A atividade resultou em um diálogo horizontal centrado nas dúvidas das participantes sobre o Plano de Parto. Os tópicos de maior interesse das gestantes foram o direito a um acompanhante, os métodos de alívio da dor e a posição durante o parto vaginal. Muitas participantes desconheciam o termo “violência obstétrica”. Conclusão: O Plano de Parto se mostrou um ótimo disparador para conversas sobre violência obstétrica. Para a equipe de estudantes, esse momento de troca com as gestantes foi enriquecedor para uma formação compreensiva e humanizada. Por fim, ressaltamos a importância de atividades de Educação Popular em Saúde na garantia de direitos de populações vulneráveis.

  

Palavras-chave


Violência Obstétrica; Gestantes; Direitos da Mulher; Educação em Saúde

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/ef.v0i31.88166