Extensão universitária como meio para obtenção de etanol a partir de bebidas apreendidas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/ef.v1i39.101695

Palavras-chave:

Aduana, Aproveitamento Energético, Destilação, Valorização de Resíduos

Resumo

A Receita Federal do Brasil realiza operações ostensivas de apreensão de bebidas alcoólicas, principalmente em regiões de fronteira. Depois de aprendidas, as bebidas passam a ser um resíduo com potencial de impacto ambiental, que deve ser processado para a destinação final correta. Este trabalho advém de um projeto de extensão universitária surgido durante a pandemia da COVID-19, voltado à produção de álcool e sabão líquido para higienização, a partir da transformação destas bebidas enviadas à UFPR, em parceria com a Receita Federal do Brasil. Passada a crise na saúde, foi dada continuidade nas ações, todavia, com um novo direcionamento, estudar a viabilidade do processo de destilação para produzir etanol hidratado combustível (EHC) visando sua utilização nos veículos do campus universitário da UFPR, Setor Palotina. Foram realizadas análises físico-químicas de rotina em amostras antes e após a destilação desta bebida, seguindo os parâmetros da Resolução Nº 907/2022 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - ANP. Os testes incluíram avaliação da cor, aspecto, condutividade elétrica, massa específica, potencial hidrogeniônico (pH), teor alcoólico e acidez total. As bebidas analisadas apresentaram características semelhantes a bebidas do tipo vinho, enquanto o etanol produzido no processo de destilação atendeu, em grande parte, aos limites estabelecidos pela normativa vigente. A amostra de etanol E3 obtida a partir da amostra de bebida B3 destacou-se por estar próxima da especificação, necessitando de ajustes mínimos. O trabalho ganha importância ao propor uma solução para um problema real, considerando especialmente, os casos de contrabando de bebidas e os casos de bebidas contendo metanol veiculadas no Brasil recentemente, no ano de 2025. Utilizando princípios de economia circular e sustentabilidade, este trabalho apresenta resultados concretos a respeito de um simples processamento de um resíduo com potencial poluidor, de maneira a promover sua transformação em um produto de valor agregado, aproveitando internamente em uma instituição pública.

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Biografia do Autor

Mariana Aparecida de Carvalho Lima, UFPR

Engenheira de Bioprocessos e Biotecnologia formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mestranda em Biotecnologia pela UFPR, com ênfase na linha de pesquisa em Biotecnologia Ambiental. Atualmente desenvolve pesquisa com lipopeptídeos produzidos por Bacillus spp. visando o controle de fitopatógenos da cultura da soja.

Patrícia Louise da Silva Ferreira, UFPR

Graduanda em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia pela Universidade Federal do Paraná e bolsista de Iniciação Cientifica pelo CNPq. Atuante em três laboratórios diferentes, desenvolvendo pesquisas relacionadas a química instrumental, na área de emulsões de combustíveis e na validação de método de cromatografia em fase gasosa para determinação de ácidos orgânicos voláteis em sistema de compostagem de resíduos, em física na produção de jogos em impressão 3D com acessibilidade em Braille, e em microbiologia e biologia molecular onde acompanha projetos de pesquisa relacionado à caracterização de microrganismos, extração de DNA de fungos e bactérias, PCR e eletroforese em gel de agarose.

João Vitor da Silva Ferreira, UFPR

Engenheiro em Bioprocessos e Biotecnologia graduado pela Universidade Federal do Paraná, cursando o Programa de pós-graduação da UFPR em Biotecnologia e Licenciatura em Química na UNINTER. Na UFPR tive experiências com Cromatografia líquida de alta eficiência utilizando coluna C18 (HPLC) e Cromatografia Gasosa de alta eficiência (CG), prototipagem, extração líquido-líquido de álcoois e ácidos orgânicos voláteis, compostagem, funcionamento de biorreatores para a produção de gás hidrogênio, estudos utilizando o Rstudio, regressão linear, teste ANOVA e Tukey. Estagiei no Instituto Butantan no Laboratório de desenvolvimento de vacinas onde pude ter maior experiência em cultivo de microrganismos, PCR, Cromatografia líquida utilizando coluna de exclusão molecular para purificação de proteína recombinante, quantificação do conteúdo proteico por método colorimétrico (BCA), análise de proteína por eletroforese (SDS-PAGE), determinação de pureza relativa por densitometria de gel de eletroforese e HPLC e análise de proteína por Western- Blotting. Autodidata em Impressão 3D FDM, modelagem paramétrica, edição de vídeos em Sony Vegas, edição de imagem em GIMP, eletrônica básica e utilização de Arduino, modelagem molecular incluindo compostos orgânicos, inorgânicos e biomoléculas utilizando Chimera, ChemSkect, entre outros.

Luis Fernando Souza Gomes, UFPR

Possui graduação em Química pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná, especialização em Desenvolvimento e Meio Ambiente, mestrado em Engenharia Agrícola (Engenharia de sistemas agroindustriais) e doutorado em Agronomia (Produção vegetal) pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Atualmente é professor Associado da Universidade Federal do Paraná - UFPR - Setor Palotina, onde foi Coordenador do Curso de Tecnologia em Biotecnologia, presidiu a comissão de estudos para implantação do Curso de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, sendo o primeiro coordenador deste curso. Professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Bioenergia (PPGB). Tem experiência na área de Química, atuando principalmente nos seguintes temas: bioprodutos (biodiesel, bioetanol, biofertilizantes, etc.), algas e meio ambiente.

Joel Gustavo Teleken, UFPR

Graduação em Engenharia Química (2007) (Unochapecó), Mestrado (2009) e Doutorado (2013) em Engenharia Química pela Universidade Federal de Santa Catarina na área de controle e simulação de processos de separação (Destilação). Professor Associado II da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Departamento de Engenharias e Exatas (DEE), na área de produção de energias renováveis. Faz parte do quadro permanente dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu em BIOENERGIA (Mestrado/Doutorado) e Engenharia e Tecnologia Ambiental - PPGETA (Mestrado/Doutorado). Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Engenharia e Tecnologia Ambiental. Atua nos Programas de Pós-Graduação Lato Sensu: Agronegócio Digital - Agro 4.0 e MBA em Gestão Estratégica do Agronegócio. Líder do Grupo de Pesquisa GERA - Grupo de Energias Renováveis Alternativas. 

Rodrigo Sequinel, UFPR

Professor Adjunto da UFPR, Departamento de Engenharias e Exatas, Palotina. Graduado em Química Tecnológica (UEPG), doutor em Química (IQ-UNESP). Pós-doutorado em Engenharia de Produção UTFPR/PG - 2014/1. Responsável técnico no Laboratório CEMPECQ/Unesp (Gestão 2013-14). Docente permanente dos PPG em Biotecnologia e PPG em Bioenergia (UFPR/Palotina) e do PPG em Química (Unioeste/Toledo). Coordenador do PPG em Bioenergia da UFPR (Gestão 2021-23-25). Líder do Grupo de Pesquisa de Química Analítica e Ambiental da UFPR/Palotina. Desenvolve pesquisas em química analítica e tecnologia química aplicadas nas áreas interdisciplinares de biotecnologia, bioenergia e bioprodutos da cadeia agroalimentar e industrial brasileira. Tem experiência nas técnicas de Cromatografia, UV-Vis, ICP-OES, Infravermelho e Espectrometria de Massas. Pós-doutorado em andamento (2025) no LADAQ, UNL, Argentina (Chamada MCTI/CNPq 14/2023).

Referências

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Publicado

2026-09-29

Como Citar

Aparecida de Carvalho Lima, M., da Silva Ferreira, P. L., Vitor da Silva Ferreira, J., Fernando Souza Gomes, L., Gustavo Teleken, J., & Sequinel, R. (2026). Extensão universitária como meio para obtenção de etanol a partir de bebidas apreendidas. Extensão Em Foco, 1(39), 58–72. https://doi.org/10.5380/ef.v1i39.101695

Edição

Seção

Artigo Original