Chamada de Artigos para o Dossiê: Currículos de Biologias, Físicas, Matemáticas e Químicas como Obras de Arte: Possibilidades Éticas-Estéticas-Políticas-Poéticas de Desestabilizações, Rupturas e (Re)significações Curriculares

2026-01-20

Este dossiê, organizado por Rafael Ferreira de Souza Honorato (PPGFP/PROFEI/UEPB) e Elenilton Vieira Godoy (PPGE/PPGECM/UFPR), tem por objetivo reunir investigações que problematizam os currículos de Biologias, Físicas, Matemáticas e Químicas, concebendo-os como atos éticos-estéticos-políticos-poéticos por vir capazes de produzir deslocamentos nas formas tradicionais de ensinar-aprender, afirmando a diferença.

Os currículos de Biologias, Físicas, Matemáticas e Químicas foram historicamente constituídos como dispositivos de organização do conhecimento, orientados por classificações, hierarquias e normatizações que se apresentam como universais. Esse modo de curricularização tende a estabilizar os sentidos sobre o saber, reduzindo o ensinar-aprender a processos de transmissão e controle e limitando as possibilidades de emergência da diferença.

Este dossiê parte do deslocamento dessa compreensão ao afirmar o currículo não como estrutura fixa, mas como processo contingente, atravessado por disputas e produções de sentido. Pensá-lo dessa forma implica reconhecer que os currículos dessas áreas não apenas organizam conteúdos, mas produzem modos de ver, sentir e se relacionar com o mundo, assumindo uma dimensão ético-estético-política-poética.

Sob essa perspectiva, aprender Biologias, Físicas, Matemáticas e Químicas deixa de ser um exercício de adequação a verdades previamente estabelecidas e passa a se configurar como experiência de criação. O erro, o imprevisto e a indeterminação não aparecem como falhas a serem corrigidas, mas como condições constitutivas dos processos de conhecimento, abrindo espaço para outros modos de ensinar-aprender e de compor com a vida.

Este dossiê se inscreve nesta fissura e propõe deslocamentos: e se os currículos de Biologias, Físicas, Matemáticas e Químicas fossem concebidos como criação? Se viver é compor forças, experimentar intensidades e lidar com o imprevisível, por que não pensar nesses currículos sob essa mesma lógica? Que novas biologias, físicas, matemáticas e químicas emergiriam ao deslocar a centralidade da verdade para a experiência? Quais paisagens surgiriam se o currículo se abrisse ao imprevisto, ao erro, à errância? Que gestos e composições se desenhariam quando aprender Biologias, Físicas, Matemáticas e Químicas deixasse de ser um exercício de domesticação e passasse a ser um ato de afirmação da vida?

É nesse horizonte que convidamos pesquisadores e pesquisadoras, nacionais e internacionais, a submeter investigações que concebam os currículos dessas áreas como acontecimentos em produção, capazes de desestabilizar normatividades e tensionar sentidos hegemônicos. Serão bem-vindos artigos que dialoguem com perspectivas noológicas, rizomáticas, esquizoanalíticas, interseccionais, decoloniais, entre outras, comprometidas com a afirmação da diferença e com a criação curricular.

O dossiê busca contribuir para o alargamento dos debates sobre currículo, ensino e formação docente, não pela consolidação de modelos, mas pelo acompanhamento de processos e pela atenção às forças que atravessam os currículos em seus movimentos de criação.

Período de submissão de artigos junto a este DOSSIÊ: 21/01/2026 a 30/03/2026

 

ATENÇÃO: Os artigos aprovados para compor o Dossiê deverão ter uma versão em língua estrangeira. Do mesmo modo, artigos em língua estrangeira aprovados deverão ser traduzidos para o português, com exceção dos originais em espanhol. Os custos com tradução, assim como com a revisão linguística de ambas as versões, são de responsabilidade dos(as) autores(as).