PRERROGATIVAS SOBRE O PLANO DE AÇÃO DO PACTO NACIONAL DE PREVENÇÃO AO FEMINICÍDIO
ENFOQUE NA PREVENÇÃO PRIMÁRIA
DOI:
https://doi.org/10.5380/diver.v18i1.100384Palavras-chave:
Violência, Violência Contra a Mulher, Vulnerabilidade, Políticas PúblicasResumo
A violência contra a mulher impacta tanto a individualidade quanto a coletividade, variando de feminicídios a microagressões que vulnerabilizam as mulheres em diversas esferas. Diante da gravidade e abrangência do fenômeno no Brasil, foi criado, em 2023, o Plano de Ação do Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio. Dada sua relevância social, este estudo tem como objetivo identificar as prerrogativas relacionadas às diretrizes deste Plano, com foco no eixo de prevenção primária, a fim de possibilitar uma discussão aprofundada sobre as ações nele previstas. O eixo de prevenção primária contempla 22 ações que buscam promover mudanças multidimensionais, combatendo a discriminação e fomentando valores de respeito e igualdade. As informações sobre essas ações foram analisadas por meio de técnicas de análise de conteúdo e agrupadas em categorias temáticas. Identificaram-se quatro categorias principais: (1) o fortalecimento de lideranças comunitárias e culturais por meio de capacitações e programas voltados para os direitos humanos; (2) a capacitação de profissionais de diferentes setores para enfrentar a violência contra as mulheres; (3) estratégias de conscientização por meio de campanhas e materiais educativos; e (4) a promoção de políticas públicas de empoderamento das mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade. A análise das ações propostas revela categorias que visam fortalecer estratégias de combate à violência contra a mulher, com ênfase na participação de setores como o educacional e o cultural, contudo, também revelou fragilidade no acompanhamento e monitoramento da implementação das ações, com ausência de indicadores claros, prazos e mecanismos públicos de prestação de contas, o que compromete a efetividade e o acesso percebido pela população.
Referências
AGUIAR, M. A. D. S. Gestão da educação básica e o fortalecimento dos Conselhos Escolares. Educar em Revista, p. 129–144, 2008.
ALMEIDA, F.; SILVA-FERREIRA, T.; OGASSAVARA, D.; FERREIRA-COSTA, J.; MONTIEL, J. M. Microagressões no contexto escolar em estudantes imigrantes e descendentes de imigrantes. Perspectivas em Diálogo, v. 10, n. 22, p. 417–427, 2023.
ANUNCIAÇÃO, L. L.; CARVALHO, R. C.; SANTOS, J. E. F.; MORAIS, A. C.; ALMEIDA, V. R. S. Violência contra crianças e adolescentes: intervenções multiprofissionais da Atenção Primária à Saúde na escola. Saúde em Debate, v. 46, p. 201–212, 2023.
ÁVILA, T. A. P. Articulação do trabalho em rede para a proteção à mulher em situação de violência doméstica e familiar. In: BRASIL. Conselho Nacional do Ministério Público. Violência contra a mulher: um olhar do Ministério Público brasileiro. Brasília: CNMP, 2018. p. 141–163.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.
BARROS, S. G. G. G. Capacitação de servidores públicos municipais: a visão dos egressos do curso de Gestão Pública Municipal (UAB). 2016. Dissertação (Mestrado em Políticas Públicas e Desenvolvimento) – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Brasília, 2016.
BATISTA, K. B. C.; SCHRAIBER, L. B.; D’OLIVEIRA, A. F. P. L. Gestores de saúde e o enfrentamento da violência de gênero contra as mulheres: as políticas públicas e sua implementação em São Paulo, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 34, e00140017, 2018.
BEAUVOIR, S. de. O segundo sexo: a experiência vivida. 2. ed. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1967.
BONETTI, A.; PINHEIRO, L.; FERREIRA, P. Violência contra as mulheres e direitos humanos no Brasil: uma abordagem a partir do Ligue 180. In: ENCONTRO DA ABEP, 16., 2008. Anais... Caxambú, 2008.
BRASIL. Decreto nº 11.640, de 16 de agosto de 2023. Institui o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2023.
BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Lei Maria da Penha. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2006.
BUSETTO, L.; WICK, W.; GUMBINGER, C. How to use and assess qualitative research methods. Neurological Research and Practice, v. 2, p. 14, 2020.
BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
CAMARGO, M. Z. Formação de mulheres agentes sociais: uma experiência com contribuições nas dimensões pessoal e comunitária. Pensamento & Realidade, v. 32, n. 4, p. 10, 2017.
CANDAU, V. M. F. Direito à educação, diversidade e educação em direitos humanos. Educação & Sociedade, v. 33, p. 715–726, 2012.
CARVALHAL, F. T. Liderança LGBTQIA+: carreira e atuação de líderes gays e lésbicas nas organizações. 2023. Tese (Doutorado em Ciências) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2023.
COLETIVO DE ESTUDOS SOBRE FEMINICÍDIOS. Informe: Feminicídios no Brasil – Primeiro semestre de 2024. Universidade Estadual de Londrina, 2024.
COLLINS, P. H. Black Feminist Thought: Knowledge, Consciousness, and the Politics of Empowerment. New York: Routledge, 1990.
DAVIS, A. Y. Women, Race & Class. New York: Random House, 1981.
DAVIS, A. Y. Freedom Is a Constant Struggle: Ferguson, Palestine, and the Foundations of a Movement. Chicago: Haymarket Books, 2016.
DI PIERO, M. F.; MAIA, A. C. B.; TEIXEIRA, M. F.; RIBEIRO, P. R. M.; VILAÇA, T. Direitos humanos das mulheres: a luta contra a violência de gênero. São Carlos: Pedro & João Editora, 2019.
FONTOURA, M. C. H.; FENILI, R. M.; SALOMÃO, J. S. Prevenção do uso de substâncias psicoativas. Texto & Contexto Enfermagem, v. 13, n. 2, p. 286–289, 2004.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
GIUNGI, A. M.; CASTANHO, M. E. Processos de ensinagem na universidade: pressupostos para as estratégias do trabalho em aula. Revista de Educação PUC-Campinas, n. 17, 2004.
GOETZ, A. M. Justiça de gênero, cidadania e direitos: conceitos fundamentais, debates centrais e novas diretrizes para a pesquisa. Justiça de gênero, cidadania e desenvolvimento, v. 13, 2007.
GUEDES, Í. P. Entre avanços e disputas: uma análise sobre os planos nacionais de educação em direitos humanos no Brasil. 2022. Monografia (Especialização em Direitos Humanos na América Latina) – Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Foz do Iguaçu, 2022.
GUERRA, V.; REZENDE, R.; ROCHA, D. G.; SILVA, K. R.; AKERMAN, M. Oficina como um exercício de aprendizagem e de escuta colaborativa: o caso da revisão da Política Nacional de Promoção da Saúde. ABCS Health Sciences, v. 40, n. 3, 2015.
INSTITUTO DE PESQUISA DATASENADO. Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher: 10ª edição. Brasília: Instituto de Pesquisa DataSenado, 2023.
LOPEZ, S. B.; MOREIRA, M. C. N. Políticas Nacionais de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e Jovens e à Saúde do Homem: interlocuções políticas e masculinidade. Ciência & Saúde Coletiva, v. 18, p. 743–752, 2013.
MAIA, M. C. Z.; FIGUEIREDO, F. Educação em Direitos Humanos: o programa mundial de educação em Direitos Humanos no Brasil. Revista JurisFIB, v. 10, n. 10, 2019.
MIRANDA, C. M.; CARVALHO, C. A. D. Narrativas do feminicídio na Amazônia. Revista Estudos Feministas, v. 30, n. 2, e76976, 2022.
MOTTI, A. J. A. Programa de formação continuada para conselheiros da área da infância e juventude. Serviço Social em Revista, v. 15, n. 1, p. 190–206, 2012.
NARUSHIMA, M.; LIU, J.; DIESTELKAMP, N. Lifelong learning in active ageing discourse: its conserving effect on wellbeing, health and vulnerability. Aging & Society, v. 38, n. 4, p. 651–675, 2018.
OLIVEIRA, M.; MACHADO, F.; LIMA, M. S. Violência contra a mulher em tempos de pandemia: ações educativas de combate e prevenção e suas fragilidades em Manaus/AM. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – CONEDU, VII, 2020. Anais... Manaus, 2020.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Global Status Report Violence Prevention 2014. Geneva: WHO, 2014.
OYSERMAN, D. Culture Three Ways: Culture and Subcultures Within Countries. Annual Review of Psychology, v. 68, p. 435–463, 2017.
PEREIRA, J. J. D. S.; IGLESIAS, F. Influenciando atitudes e comportamentos com anúncios publicitários: articulando teoria e prática. Intercom: Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, v. 43, n. 2, p. 73–89, 2020.
SEGATO, R. L. La guerra contra las mujeres. Madrid: Traficantes de Sueños, 2016.
SILVA, J. R. Protagonismo feminino nos movimentos indígenas no Brasil. Revista Espirales, v. 5, n. 1, p. 97–114, 2021.
SOUZA, S. M. J. O feminicídio e a legislação brasileira. Revista Katálysis, v. 21, n. 3, p. 534–543, 2018.
WENCZENOVICZ, T. J.; SIQUEIRA, R. E. A. Colonialidade, mulher indígena e violência: reflexões contemporâneas. Revista de Movimentos Sociais e Conflitos, v. 3, n. 1, p. 1–19, 2017.
WILLIAMS, M. T. Microaggressions: Clarification, Evidence, and Impact. Perspectives on Psychological Science, v. 15, n. 1, p. 3–26, 2020.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Nathália Batista Ferreira Escobar, Dante Ogassavara, Jeniffer Ferreira-Costa, Thais Silva-Ferreira, José Maria Montiel

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Direitos Autorais (copyright)
A Revista Divers@! é um periódico científico de acesso aberto e o copyright dos artigos e da entrevista pertence aos respectivos autores/entrevistados com cessão de direitos para a Divers@! no que diz respeito à inclusão do material publicado (revisado por pares) em sistemas/ferramentas de indexação, agregadores ou curadores de conteúdo.
Não serão pagos direitos autorais aos autores dos textos publicados pela revista. Os direitos autorais são do autor, no entanto, seu acesso é público e de uso gratuito.

