Puxando parentes: agenciamentos da mistura na Terra Indígena São Jerônimo (PR)
DOI:
https://doi.org/10.5380/cra.v26i2.99566Resumo
Este artigo analisa, a partir de considerações etnográficas, as dinâmicas da mistura entre os Kaingang, Guarani e Xetá na Terra Indígena São Jerônimo (Paraná, Brasil), antigo aldeamento indígena do Império, hoje compartilhado por esses três povos. Argumento que a mistura, como operadora da alteridade local, configura um campo do parentesco possível diante dos novos arranjos políticos e sociais, em oposição à noção de mestiço, inicialmente empregada pelo órgão indigenista. A mistura se dá por meio da lógica de puxar que, considerando os corpos indígenas como compósitos, se manifesta como agenciamento situacional das potências kaingang, guarani e xetá das pessoas. O puxar revela quais potências serão ativadas e eclipsadas em diferentes contextos, articulando ações para “influenciar alguém” e ser “influenciado por”. Para além dos espaços residenciais, a escola emerge com um polo privilegiado em que essas dinâmicas do parentesco local, marcadas pela mistura e pelo puxar, se manifestam e são disputadas.
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