Entre mobilizações conceituais analíticas e nativas: cartografia da noção de participação na FUNAI de Altamira
DOI:
https://doi.org/10.5380/cra.v24i1.86511Palavras-chave:
participação, FUNAI, povos indígenas, indústria do desenvolvimentoResumo
Neste artigo, apresenta-se o manuseio de um conjunto de conceitos tipicamente oriundos da chamada indústria do desenvolvimento dentro do escritório regional da FUNAI em Altamira. Com inspiração na forma que comunica proposta por Gregory Bateson, os conceitos são apresentados dentro de uma espécie de cartografia que dá proeminência ao conceito de participação. O mesmo movimento textual e analítico empreendido com os conceitos oriundos do campo é feito com o material bibliográfico que trata do tema. Tal paralelismo mostra como trabalhos de antropólogos de uma vertente mais aplicada aparecem como aliados à indústria do desenvolvimento na constituição de um formato de política, composto por conceitos específicos, que alimenta o trabalho da FUNAI com as populações indígenas. Contudo, o texto mostra também como este formato é continuamente tenscionado nas relações entre os produtores de projetos e os atendidos pelos mesmos, no caso, os povos indígenas atendidos pela FUNAI em Altamira.
Referências
Atlani-Duault, L., & Dozon, J. (2011). Colonisation, développement, aide humanitaire. Pour une anthropologie de l'aide internationale, Ethnologie française, 41(1), 393-403. https://doi.org/10.3917/ethn.113.0393
Bateson, G. (1972). Cybernetic Explanation. In G. Bateson. Steps to an Ecology of Mind: Collected Essays in Anthropology, Psychiatry, Evolution, and Epistemology. Chicago: University Of Chicago Press.
Cernea, M. (1991). Using Knowledge from Social Science in Development Projects. Discussion Papersin 114. Washington, D. C.: The World Bank.
Cernea, M. (1992). The building blocks of participation: testing bottom-up planning. Washington, D. C.: The World Bank.
Chauveau, J. (1992). Le "modèle participatif" de développement rural est-il "alternatif"?, Bulletin de l'APAD [En ligne], 3. https://doi.org/10.4000/apad.380
Chauveau, J. (1994). Participation paysanne et populisme bureaucratique. Essai d'histoire et de sociologie de la culture du développement, in : Jacob, J.-P. & Ph. Delville (Eds.) Les associations paysannes en Afrique: organisation et dynamiques (pp. 25-60). Paris, APAD-Karthala-IUED.
COHEN, J., UPHOFF, N. (1980). Participation’s Place in Rural Development: Seeking Clarity through Specificity. World Development, 8, 213‑235. https://doi.org/10.1016/0305-750X(80)90011-X
Deshler, D., Sock, D. (1985). Community Participation: A concept review of the International Literature. Paper prepared for the International League for Social Commitment in Adult Education, Ljungskile, Sweden.
ESCOBAR, A. (1994). Encountering Development: the making and unmaking of the third world. Princeton: Princeton University Press.
FERGUSON, J. (1990). The Anti-Politics Machine: "Develpment," Depoliticization, and bureaucratic Power in Lesotho. Cambridge e New York: Cambridge University Press.
GREEN, M. (2009). Doing development and writing culture: exploring knowledge practices in international orthodoxy and anthropology. Anthropological Theory, v. 9, 395-417. https://doi.org/10.1177/1463499609356043
GREEN, M. (2000). Participatory Development and the Appropriation of Agency in Southern Tanzania. Critique of Anthropology, v. 20(1), 67-89. https://doi.org/10.1177/0308275X0002000105
JOIRIS, D., BIGOMBE LOGO, P. (eds). (2010). La gestion participative des forêts d’Afrique centrale. Un modèle à l’épreuve de la réalité. Versailles: QUAE (Synthèses).
LAVIGNE DELVILLE, Ph. (2012). Vers une socio-anthropologie des interventions de développement comme action publique. Mémoire pour l’Habilitation à Diriger des Recherches. Version 1, CREA, Université Lyon II. Lyon.
MANSURI, G., RAO, V. (2012). Can Participation Be Induced? Some Evidence from Developing Countries. Washington, D. C.: The World Bank.
NGUINGUIRI, J. (1999). Les Approches Participatives dans la Gestion des Ecosystèmes Forestiers d'Afrique Centrale. Revue des Initiatives Existantes CIFOR, Occasional Paper No.23.
OLIVIER DE SARDAN, J. (1995). Anthropologie et développement. Essai en socio-anthropologie du changement social. Marseille: APAD; Paris: Karthala Éditeur.
SALVIANI, R. (2002). As Propostas para Participação dos Povos Indígenas no Brasil em Projetos de Desenvolvimento Geridos pelo Banco Mundial: um Ensaio de Análise Crítica (Dissertação de Mestrado em Antropologia Social). Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
THE WORLD BANK. (1996). World Bank participation sourcebook. Washington, D. C.: The World Bank.
UNION EUROPÉENNE. (2015). Renforcer la participation des parties prenantes. Revue Rurale de l'UE, 19, snt.
WEID, J. (2001). A trajetória das abordagens participativas para o desenvolvimento na prática das ONGs no Brasil. In M. BROSE (Org). Metodologia Participativa: Uma introdução a 29 instrumentos. Porto Alegre: Tomo Editorial (pp. 105-112).
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Direitos Autorais para artigos publicados nesta revista são do autor, com direitos de primeira publicação para a revista

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
1 Autores mantém os direitos autorais com o trabalho publicado sob a Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional (CC BY-NC 4.0) que permite:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato.
Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material.
De acordo com os termos seguintes:
Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
Não Comercial — Você não pode usar o material para fins comerciais.
2 Autores têm autorização para distribuição, da versão do trabalho publicada nesta revista, em repositório institucional, temático, bases de dados e similares com reconhecimento da publicação inicial nesta revista;
3 Os trabalhos publicados nesta revista serão indexados em bases de dados, repositórios, portais, diretórios e outras fontes em que a revista está e vier a estar indexada.
