A vítima sacrifical do submundo da cibercultura
DOI:
https://doi.org/10.5380/am.v32i1.103259Resumo
Este estudo dedica-se à caracterização e à crítica da significação histórico-social do submundo da cibercultura, entendido como um regime de sexualidade neoliberal, organizado em sites de pornografia, webcamming e comercialização de conteúdos eróticos. Investiga-se o processo de recrutamento das trabalhadoras pelos agentes do mercado à luz do conceito de “vítima sacrificial” de René Girard (2004). Os resultados apontam para os principais vetores de sustentação: (i) geográficos (com incidência predominante em regiões do Leste Europeu e da América Latina); (ii) fenotípicos (adequação à estética mediática); (iii) psicoemocionais (associados à legitimação da existência e busca por reconhecimento, nos termos de Axel Honneth, 1995), e (iv) clínicos (conforme classificações da OMS, DSM, APA e CID). Conclui-se que o exercício da profissão depende de mulheres já atravessadas por trajetórias de vulnerabilidade estrutural, uma vez que a naturalização do dano e a intensificação do adoecimento integram o próprio modus operandi do mercado da economia erótica digital.
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