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O USO E A COBERTURA DA TERRA E A SUA RELAÇÃO COM A HANTAVIROSE NA REGIÃO INTEGRADA DE DESENVOLVIMENTODO DISTRITO FEDERAL E ENTORNO

Janduhy Pereira dos Santos, Stefan Vilges de Oliveira, Valdir Adilson Steinke

Resumo


A Hantavirose possui uma epidemiologia de muitas nuances com mudanças ambientais de origem antrópica. Assim, é possível perceber a necessidade de compreensão, a nível regional e local, das possíveis contribuições que as mudanças antrópicas trouxeram em relação àquela enfermidade para o Distrito Federal e seu entorno. Neste sentido, o presente estudo analisou as categorias de uso e cobertura da terra existentes na Região Integrada de Desenvolvimento (RIDE-DF)  do Distrito Federal e Entorno do Estado do Goiás, tendo em vista a avaliação estatística da influência destas categorias na dinâmica da Hantavirose. Através do uso do Sistema de Informações Geográficas (SIG) e de testes estatísticos, como, por exemplo, o odds ratio e o qui-quadrado, foi possível avaliar a distribuição espaço-temporal da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Dados secundários de casos de SCPH referentes ao período 2004-2010 permitiram identificar 14 locais de ocorrência do agravo no entorno e 49 locais no Distrito Federal. Observou-se ainda nas análises que no Distrito Federal, as classes de uso – as áreas urbanas (OR= 2.9) e as lavouras temporárias (OR = 2.3) – que apresentaram medidas de associação significativas. Os resultados do teste Qui-quadrado apontou que os efeitos antrópicos são estatisticamente mais significativos no Distrito Federal (χ 2 = 9,5) do que em sua região de entorno (χ 2 = 1,8). Assim, o antropismo tem um peso importante na dispersão da Hantavirose na RIDE-DF.


Palavras-chave


Hantavírus; Uso da terra; Análise espacial

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ARTIGO AUTORIZAÇÃO

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/raega.v37i0.42453