ESPAÇO PÚBLICO E PERIFERIA NA CIDADE CONTEMPORÂNEA: ENTRE AS NECESSIDADES E AS POSSIBILIDADES

Carlos Roberto Loboda

Resumo


Propomos neste manuscrito uma reflexão imanente ao processo de produção da cidade, com ênfase para o uso dos espaços públicos, percorrendo um caminho inverso ou, ao menos, não convencional. Buscarmos analisar a estruturação da cidade a partir das suas áreas periféricas, sobretudo, dos bairros e conjuntos habitacionais considerados de baixa renda, numa cidade média paranaense. Nossa perspectiva está pautada na análise da relação entre o cidadão e seus espaços públicos, considerando as práticas socioespaciais cotidianas que neles se estabelecem, enquanto representação dos diferentes usos cidade, ou parte dela, além de incorporar no processo de pesquisa a opinião daqueles nela vivem, convivem e sobrevivem, ou seja, dando voz ao cidadão, contribuindo para uma noção da produção do espaço público na cidade contemporânea. Os resultados apontam para um processo que expressa uma redefinição constante, os espaços públicos, ora se apresentam enquanto locais relegados ao esquecimento pela perda de algumas de suas funções principais, notadamente aquelas relacionadas ao encontro, à interação e à convivência, ou então por assumirem funções adversas; ora se fazem notar por meio de políticas de promoção dos mesmos enquanto locais de espetáculo na moderna cidade, por meio de imagens simbólicas que lhes são peculiares. Não menos importante, parece-nos que é ressaltar o contrário, ou seja, o espaço público enquanto expressão de um processo de produção da cidade, das suas contradições, conflitos e reflexos, por isso mesmo, o lugar do possível, do ato político, da reivindicação, da festa, do lúdico e do improviso.

Palavras-chave


Produção do espaço urbano; Estruturação da cidade; Relação centro e periferia.

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ARTIGO AUTORIZAÇÃO

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/raega.v37i0.40382

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