A Posição Brasileira no Sistema Internacional de Estados: Um Breve Exame das Políticas dos Governos Lula, Dilma e Temer

Giacomo Otavio Tixiliski

Resumo


O Estado-Nação continua sendo o principal ator das relações internacionais devido ao seu caráter expansivo, por isso se faz necessário o entendimento do Sistema Internacional de Estados (SIE), principalmente em relação as mudanças das relações interestatais que advém com o século XXI. Nessa perspectiva, nota-se o pensamento de um mundo multipolarizado que incluía o Estado brasileiro e outros entes soberanos entre os polos de poder responsáveis por um novo fluxo de poder no SIE. Com isso, o objetivo que aqui se propõe por meio do método dedutivo e pela análise conjuntural a determinar, tanto quanto possível, a posição do Brasil no SIE de 2003 a 2018. Para isso, o artigo ampara-se na concepção de política internacional forjada por José Luís Fiori, principalmente sobre sua hierarquização dos Estados no SIE. O objetivo foi investigado com base na observação das principais políticas aplicadas pelos governos de Luís Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer que impactaram no poder do Estado nacional. Por fim, conclui-se que o Estado brasileiro mantém sua posição periférica, mesmo com as tentativas de se produzir políticas mais autônomas e soberanas diante dos imperativos das grandes potências e às imposições do SIE. Isso se deve ao fato dessas políticas de maior autonomia serem escassas e não terem continuidade por um tempo prolongado até que tenha viabilizado resultados mais consistentes.

  

Palavras-Chave: Poder; Sistema Internacional de Estados; Brasil.


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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/cg.v9i1.72149

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